A normalidade é o gavinha mais possante da fluente que prende os animais

r7 A normalidade é o elo   forte da corrente que prende os animais

Para um estudo antropológico – ainda que você consuma carnes, laticínios e ovos –, faça o seguinte: localize uma roda de amigos no trabalho ou na faculdade, aproxime-se e, à primeira brecha, diga que decidiu se tornar vegano. Então, explique brevemente o que significa ser vegano. Mantenha a ura de que aquilo é sério mesmo em seguida as primeiras risadas incrédulas.

Não vai demorar até que surjam as primeiras perguntas sobre porquê você vai fazer para obter proteínas e outros nutrientes. P um fenômeno interessante: diga que é vegano e cairão crachás do Departamento de Nutricionistas Carnistas Honorários (DNCH) direto no peito de seus amigos e familiares.

S incômodo pelo simples indumentária de saberem que você não comerá tudo o que eles comem é possante demais e, por isso, podem surgir algumas afirmações arbitrárias e ríspidas. “Mas todo mundo come mesocarpo, leite e ovo desde sempre. G normal!” – vão manifestar.

Muito do que define uma sociedade são seus costumes, inclusive alimentares. Não compartilhar deste conjunto de regras faz de você uma espécie de usurpador em sua família, em seu país e também na rodinha de amigos. Claro que os amigos de verdade vão superar isso e continuar a conversa, a vida. Mas nunca totalmente. Sempre vai possuir o incômodo.

Na televisão eles dizem que é normal. Em várias páginas de uma mesma revista, também. Anúncios de meia página em jornais de grande circulação garantem que todo mundo o faz. Comer animais e suas secreções definitivamente é uma das coisas normais que os humanos fazem. Mas só porque alguma coisa é consideradonormal significa que seja notório? Não.

Se você morasse em uma pequena comunidade da China onde os habitantes estão acostumados a consumir filhotes de cachorro, o estudo proposto no início deste texto seria idêntico. “Oi pessoal, não vou consumir estes filhotes. Eu acho o paladar bom, mas não acho patente e vou parar com isso hoje". Bastaria uma frase assim para que todo o comportamento descrito antes fosse igual ou muito parecido. “Mas consumir estes filhotes faz você permanecer possante e dizem que é afrodisíaco...” – diriam entre risos, almejando que levante seja um argumento.

A normalidade é perigosa para diversos aspectos que envolvem comportamento de tamanho. Em alguns países até hoje é normal mutilar genitálias de meninas. Em outros, a morte por apedrejamento parece uma sentença justa e normal para aquelas que cometem adultério. No Brasil a devassidão é normal. Não falo dos escândalos políticos exclusivamente, mas daquele cidadão que fura fileira ou obtém alguma vantagem sobre alguém só porque é fácil conseguí-la.

Assar partes de animais aos finais de semana é normal e tem estabelecimentos especializados nisso que fazem o processo todos os dias. São chamados de “churrascarias”. As pessoas deixam seus amados animais de estimação em moradia e vão em grupos a estes lugares. Às vezes, o ato ocorre em mansão, ao lado de animais que são considerados secção da família.

Entendo perfeitamente que tenhamos consideração por leste ou por aquele bicho, mas não podemos simplesmente ignorar que todos os animais têm capacidade de sentir dor e de suportar. Tanto faz se é o seu bicho de estimação ou um boi que você nunca viu.

Indivíduos de uma mesma sociedade tendem a desenvolver o chamado “comportamento de manada”, ou seja, reagir de forma muito parecida mesmo quando não há planejamento para isso. Uma experiência chamada "Experimento de Asch", realizada nos anos 50 pelo psicólogo Solomon Asch, ilustra muito muito isso (assista cá – somente 3 minutos). Na alimento, por exemplo, as pessoas se sentem confortáveis se estiverem compartilhando o mesmo prato que os outros sentados à mesa. S que a publicidade faz é frisar levante comportamento originário do ser humano, apresentando pseudo-argumentos em prol de produtos de origem bicho em meios de informação de forma massiva.

Contra esse ataque midiático – note em meus textos –, nunca utilizo o termo “comida” antes de falar sobre mesocarpo, laticínios, ovos e outros derivados de origem bicho. Eu sempre utilizo “resultado” justamente porque gostaria que as pessoas não encarassem estas partes ou secreções de animais porquê iguaria.

A normalidade quase sempre atrapalha, cega. Gostar de rock me ajudou a entender isso, antes mesmo de pensar sobre o veganismo. Boas bandas de rock sempre trazem letras que fazem pensar e questionar o padrão social. Nem tudo que está na lei é evidente, nem tudo que é normal é perceptível. Nem tudo que a religião diz é claro (aliás, quase zero). Este é o princípio que devemos considerar se quisermos ter o pensamento livre e siso de justiça.

Há sim comportamentos considerados normais que são justos, não prejudicam ninguém. Mas a normalidade camufla diversas ações e atitudes racistas, especistas, sexistas e homofóbicas. Fazer com que a justiça seja normal (e não a injustiça) é o duelo. E por que será que as pessoas continuam usando produtos que causam sofrimento aos animais, mesmo sabendo que isso é inexacto? A resposta pode estar em outro experimento, desta vez realizado pelo psicólogo Stanley Milgram. A experiência de Milgram mostra porquê uma pessoa pode fazer um pouco que sabe que é falso e injusto se estiver acreditando que é para um muito maior (assista cá – exclusivamente 4 minutos). Traduzindo para a alimento, podemos concluir que as pessoas continuam pagando para empresas matarem animais porque acreditam que é preciso, que fará muito à saúde delas.

A popularização do veganismo é uma arma poderosa contra as injustiças cometidas contra os animais. Sabendo que é desnecessário explorá-los para viver, o mínimo que uma pessoa com siso de justiça pode fazer é se tornar vegana. Transformar a filosofia de vida vegana em um pouco normal na sociedade vai inserir uma atitude justa dentro da normalidade. Isso significa menos comportamento negativo e ações corretas dentro do que é considerado normal, rotineiro.

E cada pessoa desta população de sete bilhões conta. Cada causante de incômodo na rodinha de amigos e na família conta. Você conta.

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Fonte: Blog Fabio Chaves