A justiça tarda, mas… não (Será?) falta

No dia 28 de janeiro de 2004 quatro servidores do governo federalista foram executados numa estrada de terreno em Unaí, município do nordeste mineiro. Quase treze anos depois, os dois mandantes do transgressão continuam livres, embora condenados a de 100 anos de reclusão e, acreditem, quando foi buscar informações do processo na Justiça Federal, o ex-mandatário do Ministério do Trabalho em , foi informado de que “está perdido”. A colega Alessandra Mendes conseguiu uma nota da Justiça que não consigo ler para entender o que está acontecendo.

 
Meus amigos, os dois pistoleiros estão presos e prestaram depoimentos ricos em detalhes, permitindo completo entendimento da chacina, que foi cuidadosamente planejada. Os irmãos Norberto e Antério Mânica são grandes plantadores de feijoeiro e se sentiam muito incomodados com a ação de um fiscal do Trabalho, de pré-nome Nelson. Decidiram matá-lo. Pediram ajuda aos cerealistas Hugo e Zé que, porquê capatazes, trataram de contatar Chico Pinheiro que, por sua vez, contratou os dois matadores no interno de Goiás. Valor da empreitada: R$ 45 milénio.

 
Quando preparavam os últimos detalhes da realização, os pistoleiros descobriram que Nelson estava escoltado de dois auditores fiscais e motorista, recém-chegados da capital e ligou para os contratantes. A resposta foi: “Tora tudo”. Dois tiros na cabeça de cada um. Não conseguiram sequer transpor do banco do coche.

 
Treze anos depois, os pistoleiros estão presos. Quem os contratou, Chico Pinheiro, morreu na prisão. Zé e Hugo estão soltos, aguardando os intermináveis julgamentos. Os irmãos Mânica foram condenados a de 100 anos de prisão no dia 15 de outubro do ano pretérito e, até hoje, continuam em Unaí. Aliás, vale lembrar que o Antério, quando esteve recluso (depois foi solto pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal) foi eleito prefeito da cidade. Isso mesmo, recluso, culpado de mandar matar quatro servidores federais, foi escolhido no voto direto pelos conterrâneos.

 
Não bastasse tanta perplexidade, a pior notícia é que Carlos Calazans, mandatário do Ministério do Trabalho à estação e que continua brigando por uma pena conciliável com a crueldade, esteve recentemente na Justiça Federal e foi informado pelos juízes do caso que o processo estava “sumido”. A Itatiaia cobrou e, horas depois, veio uma nota que eu não consigo entender. Veja:
“Prezado Repórter,

Recebemos da 9ª Vara Federal a seguinte resposta:

No TRF/1ª Região tramitam as apelações dos seguintes processos:
2004.36647-4 (que recebeu o n. 36441-22.2004.4.01.3800) – concluso para relatório e voto,
8946-85.2013.4.01.3800 – concluso para relatório e voto,
36888-63.2011.4.01.3800 – recebido hoje neste Juízo; foi mantida a sentença de Rogério Allan.

Para informações detalhadas sobre esses processos que correm no Tribunal, pode-se entrar em contato com a assessoria de informação através do telefone (61) 3314-5379.

S processo 26932-52.2013.4.01.3800 já havia retornado com provimento parcial da recurso.

Aos condenados Rogério Alan, William Gomes de Miranda e Erinaldo de Vasconcelos Silva foi recusado o recta de recorrer em liberdade e eles cumprem pena na Vara de Execuções Penais da Comarca de Contagem, onde poderão ser obtidas informações detalhadas.

Aos réus Norberto Mânica, Hugo Alves Pimenta, Antério Mânica e José Alberto de Castro foi facultado o recta de recorrer em liberdade, de modo que aguardam soltos o julgamento da recurso.

Atenciosamente,

Seção de Comunicação Social
Justiça Federal de Primeiro Grau em Gerais
(31) 3501-1358/1402”

 
 
Fonte: Blog do Eduardo Costa - Últimas Notícias de -