A DISCUSSÃO CONTINUA: PRESIDENTE OU PRESIDENTA?
“A presidenta Dilma Rousseff sancionou hoje (20), com vetos, o novo Marco Legal da Biodiversidade, que regulamenta o entrada ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado” (EBC - Brasil - 20/05/2015 14h58)
“A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira (21) durante entrevista no Palácio do Planalto que o governo não vai parar devido ao golpe orçamentário a ser anunciado nesta sexta (22)” (Portal G1 – Política - 21/05/2015 14h07)

Você escreve e fala “A presidenta” ou “A presidente”, quando se refere à senhora Dilma Rousseff?
Em tempos de manifestações e críticas ao governo, centenas de perguntas sobre esse matéria voltaram à caixa de mensagens do blog. Por isso, selecionei, porquê é provável notar supra, dois trechos de textos recentes, publicados por agências de notícias brasileiras. Fiz questão, inclusive, de não escolher textos do para que ninguém faça associações políticas ao teor que será exposto no blog. Então, vamos aos fatos.
Dilma pediu para ser chamada de “presidenta”, enquanto muitos querem referenciá-la pela designação do função, ou seja, “presidente”.
Como disse no início do texto, é preciso conversar sem fazer qualquer referência política ou partidária. Um linguagem não “valida” palavras por conta de interesses individuais ou de grupos políticos. Vamos refletir sobre o ponto de vista linguístico.
S vocábulo “presidenta” não é uma novidade do século 21, criada pelo partido de Dilma. A forma “presidenta” já apareceu em 1880, na obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.
Além disso, em 1882, o jornalista e teatrólogo França Júnior utilizou o vocábulo “presidenta” na peça Caiu o Ministério!
Se a gente pensar do ponto de vista lítico, a lei federalista 2.749, de 1956, determina o uso solene da forma feminina para escolher cargos públicos ocupados por mulheres. No Brasil, até a eleição de Dilma, não havia uma mulher no incumbência sumo do executivo. Agora, a lei pode ser considerada.
Pelo VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), da Academia Brasileira de Letras, as formas “presidente e presidenta” são aceitas. Mas, do ponto de vista gramatical, os substantivos e adjetivos terminados em “ente” não têm variação de gênero.
Por essa razão, não dizemos “clienta”, “gerenta” ou “pacienta”. Usamos exclusivamente o cláusula para escolher gênero: “o gerente” e “a gerente”, “o presidente” e “a presidente”. Parece, pelo que leio em jornais e nas mídias sociais, que a forma "a presidente" é congruente para muitos falantes.
Quem determina as regras das línguas, historicamente, é o uso. Com isso, exclusivamente o tempo vai expor qual decisão os usuários vão tomar. Somos nós que vamos “validar”, ou não, essa termo. Se a forma “presidenta” não for usada, será descartada; se ela se mantiver, será cada vez popular e, nas próximas gerações, ninguém vai estranhar o uso.
Oficialmente, podemos usar as duas formas, presidente e presidenta. Ambas são aceitas e consideradas corretas. Mas quem vai revelar o horizonte dessa termo é o uso feito pelos brasileiros. Eu, normalmente, escrevo “A presidente Dilma Rousseff”. E isso não tem zero a ver com posições políticas.
E você, o que acha? Prefere a forma “a presidente” ou “a presidenta”?
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Fonte: Português de Brasileiro