A crise é de caráter
Para os que amam Belo Horizonte ontem foi um dia histórico: a cidade estava na rua. Seja na tradicional feira da Afonso Pena, nos clubes da Pampulha, mas, mormente, na Praça da Liberdade, colorida de verdejante e amarelo com milhares e milhares pedindo um governo decente. Também na sexta tivemos manifestações porquê devem ser: as pessoas dizendo o que pensam, gritando conforme o momento, sem agressão ou depredação. Só não estou em êxtase porque vejo muito ódio no coração dos vizinhos de um Brasil historicamente dividido e, desde as eleições de outubro, partido.
Quando, no final da manhã de ontem, o locutor de um coche de som propunha o deslocamento da Praça da Liberdade para a Savassi, houve imediata reação do público, sugerindo a Praça Sete, para evitar a “pecha” de “riquinhos”. Mas, não adianta. Pelo menos por ora, quem disser que é contra a Dilma será tachado de elitista, conservador, direitista e burguês com pavor de perder a mordomia; do outro lado, quem tutelar o governo, será rotulado imediatamente de um corrupto, ignorante, nordestino, infeliz e responsável por toda nossa mazela.
Acho que quem consegue ver a discussão supra da paixão deve ter muita paciência com o locutório, da mesma forma que a gente administra discussão com jovem e membro de torcida organizada. Ou, porquê Ele disse pregado na cruz, “perdoem-nos pai, eles não sabem o que dizem”.
S nosso problema está no DNA. Tenho de repetir a frase “a crise é de caráter” mesmo lamentando que o deputado estadual responsável dela me deu sinais de que também para ele a prática era dissemelhante da teoria.
Mas, esqueçamos as fraquezas humanas para lembrar que um país novo a gente cria ao forrar chuva, pujança elétrica, não pegar um “jabá” por fora, não furtar TV a cabo, não explorar a empregada doméstica, não sonegar impostos, não majorar preços indecentemente, não dar numerário ao vereador para edificar onde não pode; não parar na fileira dupla, não consertar tarefa para a nora e os genros no fórum, não pedir auxilio moradia, livro, mudança e outros que só aumentam salários já incompatíveis com a míngua de muitos... Enfim, porquê seria bom se a gente aproveitasse esse momento para tomar vergonha na faceta!
Fonte: Blog do Eduardo Costa - Últimas Notícias de -