Jornais se esforçam para migrar para o digital

Jim Moroney III, CEO do The Dallas Morning News

Jim Moroney III, CEO do The Dallas Morning News

Os jornais estão bastante dedicados a se transformar na era digital. Em evento promovido no final de semana pela Associação Mundial de Jornais, no Peru, os principais gestores de diários impressos da América Latina se encontraram para avaliar as principais ideias para combater a crise que atinge o setor desde 2007. A conclusão é unânime: é preciso reconstruir o negócio de fazer jornal enquanto ele ainda existe.

A abertura do evento ficou a cargo de Caio Tulio Costa, fundador do UOL e ex-presidente do iG. Costa mostrou que a receita com publicidade dos jornais nos Estados Unidos caiu de de US$ 45 bilhões em 2006 para menos de US$ 20 bi em 2012. No mesmo período o faturamento de propaganda do Google subiu de menos de US$ 5 bi para US$ 20 bi.

Modelo de negócio
Para o jornalista e consultor, os jornais devem se concentrar na revisão dos seus modelos de negócio (de que forma eles ganham dinheiro) se quiserem sobreviver. Uma das principais recomendações de Costa é a criação de novas fontes de receita. Sem surpresas, o caso de sucesso mencionado por ele é o do UOL, empresa do mesmo grupo da Folha de S.Paulo, que hoje oferece muito do que notícias mas também serviços como hospedagem de sites, ecommerce, educação à distância e até mesmo sistemas de pagamento. Costa cita o presidente do UOL, Luis Frias: “o UOL é hoje algumas vezes maior do que a Folha, dependendo do critério adotado”.

Outra empresa que se dedicou de verdade a se transformar é o The Dallas Morning News. De acordo com a apresentação de seu CEO, Jim Moroney III, o jornal buscou criar novas fontes de receita com a diversificação de serviços, como o lançamento de publicações para públicos específicos, como o latino, e a criação de uma empresa para a produção e venda de conteúdo para os anunciantes.

Nativos digitais
No Rio Grande do Sul, a Zero Hora começou a mudança pela reorganização da redação. A equipe já trabalhava para jornal e internet simultaneamente mas neste ano um terço das pessoas ficaram responsáveis apenas por conteúdo para distribuição no computador, tablets e smartphones. Essa equipe é focada em pensar conteúdos e formas de apresentar a informação que sejam específicos do canal digital. Com isso surgiram novos formatos de conteúdo, como vídeos curtos e bem humorados com o objetivo de utilizar uma linguagem próxima do que se chama hoje de nativos digitais, ou seja os jovens cuja experiência com mídia sempre foi digital.

Como inspiração para os jornais, o empreendedor Chileno Leo Prieto apresentou sua rede de sites Betazeta, fundada em 2007 com mentalidade 100% digital. Sem o legado de um negócio vindo do impresso, a empresa se concentra em oferecer conteúdos com diferenciais que realmente importam na distribuição via internet. Por exemplo, Prieto apresentou com muito orgulho o fato de seu site carregar em apenas um segundo, rápido do que qualquer outro site de notícias da America Latina e lento apenas do que gigantes do setor como Google e YouTube. Além disso, a inexistência de uma estrutura corporativa prévia permite que a empresa seja enxuta e funcione plenamente mesmo que seus gestores estejam espalhados por países como Argentina, Chile e Espanha.

Fonte: iG Colunistas - Click