Quinteiro de 103 anos lembra outras pandemias e no se apavora com coronavrus – Gerais

"No me preocupo com doenas. Elas sempre estiveram no mundo, so naturais, estamos sujeitos a isso. O importante se proteger, manter a sade"
Armando da Conceio, quinteiro, 103 anos
Ao ver a equipe do Estado de Minas com mscaras cirrgicas, assim porquê o neto Leopoldo Alves, jurisconsulto, com a proteo facial, seu Armando quer saber porquê est a situao causada pelo coronavrus. Mas no se apavora com as notcias sobre o avano da pandemia. “No me preocupo com doenas. Elas sempre estiveram no mundo, so naturais, estamos sujeitos a isso. O importante se proteger, manter a sade”, resume. De indumento, em Minas no de hoje que epidemias tiram o sossego da populao, conforme pesquisa em período preparatório do promotor de Justia Marcos Paulo de Souza Miranda, integrante do Instituto Histrico e Geogrfico de Minas Gerais (IHGMG).
Ingerir, consumir, trabalhar
No cenrio rústico em que vive, com a tradicional moradia pintada de azul e branco e muito espao para curtir a vida, seu Armando gosta de narrar histrias e no perde o bom humor: “No sou to velho assim para falar da gripe espanhola, no, viu? Mas posso falar do sarampo, da varola, esses, sim, terrveis”, considera. Vivo h nove anos, ele foi casado por 74 anos com Maria da Piedade da Conceio, tendo 13 filhos, 36 netos e 41 bisnetos e um tataraneto.
Da varanda, ele faz questo de recitar o nome de fruto por fruto: Edson (Dinho), recentemente falecido, Iraci, Elson (Nica), Elce, Elzio, Elizia Isabel, Ederval Rmulo, Maria ngela, Eunice Elena, Marcos Geraldo, Alcides Luiz, o Cidinho, Ilza de Ftima e ngelo Armando. “Para gerar tantos filhos, tem que trabalhar muito, n? E cuidar da sade.”
Bem em muletas por pura precauo, aps uma queda na escada, o quinteiro, oriundo do municpio vizinho de Santa Luzia, tem certeza de que a sade para isso se sustenta em trs pilares: ingerir, consumir e trabalhar. No ltimo verbo est a deixa para recordar outros tempos. Ex-possessor de depsito de material de construo, conta que transportou em seu caminho muito “cimento e rolos de arame” para a construo de Braslia, em 1956.
Clera, f e sinistro
Souza Miranda informa que, em meados do sculo 19, foi a vez de o clera morbus atingir Minas, fazendo milhares de vtimas em razo da diarreia e do vmito que provocava. doena est associado “um triste traje ocorrido na cidade de Rio Piracicaba em novembro de 1855”, conforme noticiado no Jornal Bom Siso, de Ouro Preto, naquele ms: “Em o dia 12 do fluente, com o término de esconjurar por meio de preces ao Todo Poderoso a tempestade do clera que j se tem manifestado em nossa provncia, mais de 4.000 pessoas deste arraial e de suas imediaes levavam em procisso a imagem do Senhor Bom Jesus de Matozinhos, ali muito venerada, quando (cena desoladora!), ao passarem a ponte sobre o Rio Piracicaba, que divide a povoao, dois lanos desta desabam com horrendo fracasso”.
'Varíola'
No ltimo quartel do sculo 19, a epidemia de varola, poca conhecida porquê varíola em razo das bolhas que formava no corpo das pessoas atacadas, foi a que mais castigou os mineiros. No Sul de Minas, a Cidade do Turvo (atual Andrelndia) sofreu enormemente com a doena, perdendo mais de uma centena de vtimas. “Em razo de a doena ser altamente contagiosa, recomendava-se que as roupas das vtimas fossem queimadas e as habitaes, desinfetadas com queima de súlfur e caiao. Porquê muitos turvenses morreram em locais distantes da cidade, o pavor da contaminao no permitiu sequer que os corpos fossem levados ao cemitrio pblico, sendo providenciados cemitrios repentista na zona rústico, que ficaram conhecidos porquê cemitrios dos bexiguentos, por servirem de lugar de folga dos corpos das vtimas da varola.”
Souza Miranda ressalta que, atualmente, h dois desses cemitrios, em Cascata das Marias e Espraiado: “So eles as ltimas testemunhas da peste que assolou Andrelndia em 1891”. Aps estudar tantas doenas e seus efeitos, o pesquisador tira de seus estudos uma mensagem de confiana: “Esperamos que o conhecimento desses fatos nos sirva de ânimo para enfrentarmos com f e esperana os desafios que ora vivenciamos. Isso tambm passar”.
Pragas e pestes na histria de Minas

"Minas Gerais, em seus mais de 300 anos, enfrentou situaes to ou mais difceis que a do coronavrus. Superou todas, mesmo em pocas de incipientes conhecimentos mdicos e epidemiolgicos"
Marcos Paulo de Souza Miranda, promotor de Justia e pesquisador
Na pesquisa que conduz com o tema “Doenas e epidemias na histria de Minas Gerais”, com enfoque at o término do sculo 19, o promotor Marcos Paulo de Souza Miranda, do Instituto Histrico e Geogrfico de Minas Gerais, destaca que pragas, pestes e doenas sempre estiveram presentes na histria da humanidade, sendo inmeras, por exemplo, as passagens bblicas que tratam do objecto.
No Brasil, segundo seus estudos, entre 1777 e 1780 se abateu sobre o Rio de Janeiro uma terrvel gripe que, alm de provocar poderoso quadro febril, atacava o sistema nervoso e locomotor de suas vtimas, causando-lhes deformidades. “Conhecida porquê zamparina, em aluso cantora italiana Anne Zamperini, ento artista de grande sucesso em Lisboa, a doena chegou a Minas Gerais trazida por soldados mineiros que haviam sido remetidos para o Rio de Janeiro a término de reforar o transitivo em preparo para enfrentar a diadema espanhola, que havia invadido o Sul do nosso pas”, conta o promotor. “Especula-se que Aleijadinho (Antonio Francisco Lisboa, o rabi do Barroco), que havia sido remetido ao Rio naquele tempo para facilitar nas obras de fortificao, tenha sido assaltado por esse mal”, acrescenta.
Mais tarde, em 1788, o “mal de So Lzaro”, nome pelo qual era chamada a lepra ou hansenase, provocava grande temor em Vila Rica (atual Ouro Preto), a ponto de as autoridades locais determinarem a expulso dos doentes da sede. “Em maio daquele ano, 19 leprosos foram exilados para as bandas do Arraial de So Bartolomeu, onde deveriam permanecer segregados.”
J em 1792, uma terrvel epidemia de gripe, com elevado intensidade de mortalidade, acometeu a regio de Diamantina, contagiando secção significativa da populao e fazendo com que o Senado da Cmara da Vila do Prncipe (atual Serro) mandasse fazer fogueiras pelas ruas “por pretexto da grande epidemia de defluxes que quase todos geralmente padecem... defluxes perigosas, de que quase todos ou a maior secção dos moradores se achavam tocados e se queixam...” Segundo a medicina da poca, explica Souza Miranda, a montagem de fogueiras, com a combusto de determinadas ervas e madeiras, tinha o poder de purificar o ar e diminuir a disseminao das doenas.
Nesse sentido, em 1808, aps uma mortfera epidemia de doena desconhecida derribar sobre a cidade de So Joo del-Rei, a Cmara convocou todos os professores de medicina e cirurgia do municpio para que indicassem os meios de combate peste. “Com base nas indicaes mdicas, foi publicado um edital determinando que os moradores fizessem fogueiras todas as noites, nas quais deveriam ser queimadas ervas aromticas (rosmaninho, manjerico-do-campo, pinheiros, coqueiros-da-serra e sassafrs), alm de queimar plvora em morada, lanígero vinagre em ferro em brasa, tomar ponches e vinagradas”, descreve.
Gripe a bordo
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Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:
- Febre
- Tosse
- Falta de ar e dificuldade para respirar
- Problemas gstricos
- Diarreia
Em casos graves, as vtimas apresentam:
- Pneumonia
- Sndrome respiratria aguda severa
- Insuficincia renal
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