Eu queria resgatar o tempo do sexo no cinema, diz diretor do aclamado “Boi Neon”

Na próxima quinta-feira (14), estreia no Brasil o filme “Boi Neon”, o novo elixir oriundo do cinema pernambucano. Assinado por Gabriel Mascaro, que antes já havia causado sensação com “Doméstica” (2012) e “Ventos de Agosto” (2014), o filme mostra um Nordeste radicalmente dissemelhante da leitura tradicional que se tem da região. Mas não é só.

“Boi Neon” é um filme que pensa o corpo porquê nenhum outro ousou fazer no cinema recente. Mascaro, com muita sutileza, tateia a questão de gênero, e seus limites cada vez dilatados, com imaginação e riqueza visual.

O cineasta pernambucano Gabriel Mascaro na pré-estreia do filme em São Paulo (Foto: divulgação/Imovision)

S cineasta pernambucano Gabriel Mascaro na pré-estreia do filme em São Paulo
(Foto: divulgação/Imovision)

Premiado em Veneza e Toronto e grande vencedor do último festival do Rio, “Boi Neon” é, sob muitos aspectos, representante de um cinema brasílico oxigenado e que pode, e deve, ajudar a transformar o olhar estrangeiro sobre o nosso cinema. Não à toa, o filme fez uma longa curso em festivais internacionais antes do lançamento mercantil no País.

A poste bateu um papo com o cineasta no dia em que ele apresentou o filme para convidados na capital paulista. Mascaro se mostrou orgulhoso do resultado.  Nada justo, já que o filme é maravilhoso, e entusiasmado com as possibilidades para seu rebento daqui para a frente. “Quero que o filme seja desvelado e que chegue ao interno. Quero muito ver quais serão seus efeitos por lá”.

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Cineclube: Você diria que “Boi Neon” é seu filme ousado? Por quê?

Gabriel Mascaro: Eu não saberia expor. Porque não faria “Boi Neon” se não tivesse feito os outros filmes. G uma experiência muito única. Essa troca com os atores, com a equipe. Certo, posso expressar, é que foi um processo muito rico.

Cineclube: Qual é a sensação de estrear um filme no Brasil depois de uma curso tão muito sucedida em festivais mundo afora?

GM: Alegria imensa. Ter essa possibilidade de mostrar para as pessoas que o filme é reconhecido. A sensação é de ter fechado esse ciclo.

Cineclube: S corpo e a questão de gênero são muito prementes no filme. Como foi trabalhar isso visualmente e de que maneira você concebeu essa particularidade do filme para os propósitos narrativos?

GM: S corpo é uma coisa muito possante no filme. G sobre transformação. Ele acumula. Onde os homens estão reapropriando essa teoria do masculino. Tem uma série de novas possibilidades de vivência que estão acontecendo lá (no Nordeste) e que para mim era importante trazer para o filme. S sexo, a urina do Iremar (o filme se morosidade na exposição desses ritos). S cinema não tem tempo para mostrar um ato sexual do início ao término e eu queria resgatar isso.

Cineclube: A quebra de paradigmas parece um setentrião do filme. Vivemos em um mundo que a relativização é muito-vinda? Seria esse o ponto de encontro da sua filmografia? Eu estou viajando ou é por aí mesmo?

GM: Acho que você coloca uma coisa muito pertinente. Personagens diferentes. Estranhos. Que são exceções. S filme cria anfibologia e o filme te aproxima desses personagens que a gente acha dissemelhante e escancara a possibilidade de convergência. A anfibologia está lá somente para alongar a teoria de normalidade. Viajei do que você (risos).

A gente imagina que a cultura do Nordeste é aquele lugar que as pessoas querem ir embora pela dificuldade e tal, nesse filme ninguém quer ir embora. Querem modificar a vida, mas permanecer ali. São personagens que resistem de certa forma. Ousam sonhar sonhos diferentes.

Fonte: Cineclube por Reinaldo Glioche - iG Cultura