Amoralidade do combate às drogas move “Sicario: Terra de Ninguém”

foto: Montagem/reprodução

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Muitos filmes sobre a guerra ao tráfico de drogas já foram feitos e é generalidade indicar “Traffic – ninguém sai incólume” (2000) porquê o representativo desta frente cinematográfica. Quinze anos depois da premiada fita de Steven Soderbergh, “Sicario: Terra de ninguém” (2015) se apresenta para assumir o o ocupado por “Traffic”. Não se trata de ser um filme melhor, mas de radiografar os efeitos perniciosos do combate às drogas com o mesmo dano de “Traffic”, mas com o picardia da contemporaneidade. S mundo conquistado por Denis Villeneuve é ainda sórdido, tenebroso e amoral do que o mostrado por Soderbergh.

Os filmes têm ainda outro elemento em generalidade. Benicio Del Toro, oscarizado por viver um policial honesto em meio ao mar de devassidão na fronteira entre México e EUA em “Traffic”, surge agora porquê um misterioso colombiano recrutado por uma força-tarefa entre agências americanas montada pela Secretaria da Defesa para malgastar um posse mexicano que expande seus domínios nos EUA. Essa força-tarefa, comandada com o devido intensidade de desaforo e insolência por Matt Graver (Josh Brolin) tem na agente do FBI Kate Macer (Emily Blunt) seu corpo estranho.

Macer, que liderava a partilha antissequestro da polícia federalista americana no Arizona, cai meio de paraquedas no grupo e à medida que questiona sua função na equipe, questiona também os rumos ambíguos que o combate ao tráfico pelos EUA tomou.

S vestimenta de o filme ser protagonizado por uma personagem feminina eleva não só a tensão dramática, porquê recodifica a percepção da brutalidade daquele universo estranho a Kate, mas também a audiência. “Sicario” não reclama para si a responsabilidade de ofertar respostas para um problema que parece maior cada vez que se presta atenção nele, mas se incumbe de indicar a crescente de amoralidade em uma guerra sem mocinhos. “Os limites foram alterados”, explica a uma queixosa Kate seu superior direto em um oferecido momento do filme. Uma luta em que agendas pessoais, corporativas e geopolíticas se misturam corrompendo qualquer objetivo probo que possa subsistir.

A violência e os desvios morais inerentes a ela compõem a material-prima da filmografia de Villeneuve – porquê pode ser visto em “Incêndios” (2010) e “Os suspeitos” (2013) – e o roteiro de Taylor Sheridan (ator da série “Sons of Anarchy” estreante porquê roteirista) oferece o relevo necessário para o canadense evoluir no escopo de sua própria obra.

Não há qualquer espaço para resgate em “Sicario” e Villeneuve, embora capriche na tensão (uma cena de troada em Juarez, no México, é toda ela construída exclusivamente com veículos parados e closes nos atores), se recusa a filmar obedecendo convenções de gênero. Seu filme em zero se parece com as produções que abordam o combate ao tráfico de drogas. As informações não são mastigadas para a plateia e ação importa menos do que o raciocínio a fomentá-la. Denso, brilhantemente fotografado e provocativo nos detalhes, “Sicario” não é o melhor de Villeneuve, mas atesta que o canadense é mesmo um dos melhores cineastas da atualidade. E com sobras.

Fonte: Cineclube por Reinaldo Glioche - iG Cultura