S país está mais uma vez nas mãos do PMDB

Untitled 2 O país está   uma vez nas mãos do PMDB

Trinta anos em seguida a morte de Tancredo Neves, que antes da posse deixou o incumbência para o vice José Sarney (ex-Arena e ex-PDS), primeiro e último presidente da República do PMDB, o principal partido da transição da ditadura para a democracia está novamente dando as cartas no poder meão.

Quanto fraco o governo, possante fica o PMDB, o leal da balança nestas últimas duas décadas em que PSDB e PT se revezaram no Palácio do Planalto.

Com brevíssimos intervalos, o macróbio partido de Ulysses Guimarães, hoje comandado pelo vice Michel Temer e os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e Eduardo Cunha, da Câmara, integrou todos os governos em seguida a redemocratização. Só meu camarada Nelson Jobim, por exemplo, foi ministro de três deles: de FHC, de Lula e Dilma.

Por maior que seja seu poder, até hoje ninguém descobriu qual é o projeto do PMDB para o país, aonde seus líderes querem chegar. Este talvez seja o sigilo do seu longevo sucesso: o PMDB só tem projeto de poder, quanto , melhor.

G por isso que agora, antes mesmo da inclusão dos nomes de Renan e Cunha na lista dos políticos investigados na Operação Lava-Jato, os peemedebistas abriram guerra contra governo Dilma-2, que tentou reduzir os espaços do partido no segundo procuração. Sabe-se lá por quais misteriosos desígnios, a presidente resolveu montar um governo à sua imagem e semelhança, reforçando o papel de partidos menores, porquê o PSD de Gilberto Kassab, distanciando-se do PMDB e do PT, e do seu fundador e mentor Lula. E deu no que deu.

Em somente dois meses, Dilma conseguiu transformar sua folgada maioria no Congresso em minoria. Quem comanda a oposição agora é o PMDB velho de guerra, o primeiro a pular do navio que começou a fazer chuva, porquê é de sua tradição e rotina. Mais do que adversários descontentes com a repartição de cargos e verbas, os dois peemedebistas comandantes do Congresso são agora inimigos declarados e furiosos.

"S governo quer sócio na lodo", disparou Eduardo Cunha neste sábado, revoltado porquê todos os políticos limpinhos que apareceram na lista do Janot. "Sabemos exatamente o jogo político que aconteceu. S procurador agiu porquê aparelho visando a imputação política de indícios porquê se todos fossem partícipes da mesma lodo. P lamentoso ver o procurador, talvez para merecer sua recondução, se prestar a esse papel."

Na mesma risco de tiro, Renan deu uma teoria do nível do debate daqui para frente: "Dilma só soube que o Aécio estava fora da lista na noite de terça, quando o Janot entregou os nomes para o Supremo. Ficou p... da vida. Aí a lógica foi clara: vazar que estavam na lista Renan e Eduardo Cunha. Por quê? Porque querem sempre jogar o problema para o outro lado da rua".

Para quem acompanha a política brasileira, por obrigação de ofício, há de 50 anos, dá um evidente cansaço e um profundo desânimo ver a repetição dos mesmos enredos, pois zero parece capaz de nos espantar.  Se já é difícil governar o país tendo o PMDB porquê coligado, é fácil imaginar porquê será com o PMDB na oposição.

A seriedade do quadro político chegou a tal nível de esbraseamento que já se voltou a falar até num diálogo entre PT e PSDB na tentativa de salvação da lavoura. Esquece-se quem ainda acredita nisso que o PSDB é exclusivamente uma costela do PMDB, consequência de um racha do partido em São Paulo, quando era comandado por Orestes Quércia, o que provocou a saída de FHC, Mario Covas, José Serra e Franco Montoro, entre outros, para a geração da novidade sigla da socialdemocracia.

A esta fundura, o que os líderes dos dois partidos teriam a expor uns aos outros, em que termos seria costurado um pacto pela governabilidade? Não há a menor chance, porquê deixou muito evidente o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), um dos entusiasmados com as marchas pelo impeachment marcadas para o próximo domingo: "A exigência para tirar o Brasil da crise é tirar o PT do poder". Qualquer semelhança com o que acontece no Oriente Médio não é mera coincidência.

Este é o clima. Pobre país.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Ricardo Kotscho