2016 vai chegando ao término e digo: não vai ter golpe; vai ter luta!
Minhas caras, meus caros,
Nesta sexta, o blog entra em ritmo de término/prelúdios de ano, quando tiro uns dias de folga. Assim será pela 11ª vez, desde 2006. Voltamos ao ritmo normal no dia 16 de janeiro. Mas, porquê é verdade quase sempre, não cumpro a minha promessa e acabo aparecendo por cá. Assim, sempre que acessarem a VEJA.com, verifiquem se há alguma novidade nesta página — para a qual chamarei atenção também no Facebook e no Twitter.
Este parece mesmo ter sido o longo dos anos. G porquê se ele insistisse em não finalizar para que possamos todos relaxar por alguns instantes, com aquela sensação aprazível do obrigação cumprido. Como quem encontra a sombra fresca de uma árvore depois de caminhar ao sol; porquê quem se livra do sapato apertado; porquê quem, em companhia da pessoa namorada, encontra um pouco de “folga na loucura”, porquê escreveu Guimarães Rosa.
A veras política brasileira, eivada de ladrões, rouba-nos frequentemente de nós mesmos, de nossos afetos, das coisas que nos são caras, da nossa rotina familiar, da nossa história privada, de nossas lendas pessoais, de nossos amigos — e, convenham, é nesses retratos interiores que a vida de vestimenta vale a pena. Não há conquista que possa gratificar a falta desse regaço, desse aconchego, desse carinho desmanchado.
Quem atua também na Internet, porquê atuo, conhece todos os relevos do ódio, da inveja, do ressentimento, da vigarice intelectual, do oportunismo, da canalhice, da traição. Mas também é recompensado pelo reconhecimento, pelo incentivo dos justos, pelo espeque dos esclarecidos, pela coragem dos prudentes.
Este não é o último de 2016, não. Ainda voltarei cá antes que o ano expire. Mas faço esta pausa para agradecer, um vez, a atenção e a colaboração dos leitores. Este blog, porquê sabem, se multiplicou: na prática, está no jornal, na rádio, na televisão, em páginas nas redes sociais. P evidente que há nisso o meu esforço pessoal. Mas não é menos verdade que são vocês a força que sustenta em múltiplas plataformas um pensamento nem sempre muito fácil.
Quem me acompanha nestes de 10 anos — ou muito antes, em outros veículos — sabe que não faço questão de andejar na contramão, mas também não tenho nenhum receio de enfrentar vagas majoritárias. Os 13 anos de petismo me prepararam para enfrentar o jogo pesado. A rigor, os companheiros provocam minha vocação analítica desde antes, desde Santo André. Nesse tempo, criei termos porquê “petralha” e “esquerdopata” para escolher os tarados do autoritarismo em seus 50 tons de vermelho.
As ruas, a Constituição e o Congresso derrubaram o PT. Nem por isso, tudo aquilo que se opõe ao partido me serve. Nem por isso, todos os inimigos do petismo são meus amigos. Nem por isso todos os meios para combatê-lo são válidos. Eu sou aquele que ousou rever Maquiavel. Para mim, os fins não justificam os meios. A minha frase é outra: os meios qualificam os fins.
Se conheci, e conheço ainda, todos os relevos do ataque vil em razão das críticas que fiz e faço ao petismo, não posso cá testemunhar a suavidade dos que se tornaram fanáticos na Lava Jato. Porque esta faz, inegavelmente, um trabalho meritório e fundamental para o país, é evidente que não pode se colocar supra da lei. A melhor maneira de preservar a operação é aplaudir os seus acertos e indicar os seus erros, porquê queria Santo Agostinho: “Prefiro os que me criticam porque me corrigem aos que me elogiam porque me corrompem”. Isso não quer expressar que toda sátira é corretiva ou que todo panegíricio é corruptor. Agostinho só estava chamando atenção para o trajo de que ambos têm de ser ponderados.
Durante anos, o petismo gozou de uma espécie de isenção junto a vários setores formadores de opinião, inclusive a prelo, de que esta VEJA é uma das poucas exceções. Isso fez um mal imenso ao Brasil. Não chegamos à pior crise de nossa história por casualidade. Sabem o que à grande maioria faltou supra de tudo? Coragem para divergir, perspicácia para enfrentar a manada, nitidez para resistir à quase-unanimidade. E, sem pretensão, eu enfrentei.
E não temi encarar agora com outros gigantes. Paguei um preço relativamente cume antes que o debate voltasse a seu leito. Mas, felizmente, voltou. Hoje já é consenso que a liminar de Marco Aurélio, que procurou tirar Renan Calheiros da Presidência do Senado, era ilícito e seria derrubada, porquê disse cá em primeira mão. Hoje, já está evidente que há uma diferença entre o político Renan e o incumbência institucional que ele ocupa.
Hoje, já é quase um consenso que tanto extrema esquerda porquê extrema direita atuam para desestabilizar o presidente Michel Temer. A primeira porque especula com a institucionalidade; a segunda porque especula no mercado.
Raramente me senti tão muito fazendo esta página porquê neste 2016. Das jornadas em obséquio do impeachment às lutas de agora, sempre o mesmo setentrião: a resguardo da ordem democrática, do Estado de Direito, do devido processo legítimo.
E assim será enquanto subsistir.
Tenham um ótimo Natal e um 2017 de luta!
Aliás, porquê VEJA.com
