Usinas Siderúrgicas, investem em setor naval

Impactada pela crise que assola a siderurgia e provoca a estagnação da mineração no país, o parque produtivo de Ipatinga, no Vale do Aço, majoritariamente formado por fabricantes de bens de capital voltados para atender aqueles setores, vem procurando se qualificar para atender a indústria naval e de óleo e gás como alternativa para reverter o quadro negativo dos últimos anos.

“Isso impactou seriamente as empresas locais. Todas estão em situação muito difícil. Houve redução dos quadros de funcionários, em alguns casos, de praticamente 50%, e a demanda também está baixa. Por isso, muitas indústrias estão se qualificando para atender os setores naval e de óleo e gás”, afirmou o vice-presidente da Regional Vale do Aço da Federação das Indústrias do Estado de Gerais (Fiemg), Flaviano Gaggiato.

A própria situação da Usinas Siderúrgicas de Gerais (Usiminas), instalada no município, é emblemática para os fornecedores locais. Nos últimos anos a empresa passou por uma série de dificuldades financeiras e por um longo processo de reestruturação administrativa desde a entrada do grupo argentino Ternium em seu bloco de controle, no início de 2012.

A empresa saiu de um prejuízo de R$ 598 milhões em 2012 para um lucro líqüido de R$ 17 milhões no ano passado. Além disso, as vendas de aço da siderúrgica no mercado interno alcançaram 5,4 milhões de toneladas, maior volume dos últimos cinco anos. Apesar disso, Gaggiato não acredita em recuperação do mercado siderúrgico nacional como um todo no curto prazo.

Frente a essa situação do setor siderúrgico, que enfrenta grandes dificuldades em função da concorrência estrangeira, em especial da China, e dos investimentos da mineração nacional praticamente travados, o representante da indústria local explicou que atender à demanda da indústria de óleo e gás, principalmente, se tornou opção porque o grau de exigência é maior, mas a remuneração também.

Segundo Gaggiato, em relação à indústria naval, algumas empresas locais já fabricam navios e acessórios navais. No caso dos navios, os blocos são montados separadamente e transportados até cidades litorâneas. Entre os clientes estão a Petrobras e vários estaleiros. No entanto, neste sentido a questão logística se torna grande problema.

Por isso, Gaggiato comemorou o anúncio de que a presidente Dilma Rousseff vai assinar, na próxima segunda-feira, a ordem de serviço para as obras de duplicação da BR-381 de Belo Horizonte até Governador Valadares. O vice-presidente da regional Vale do Aço da Fiemg explicou que a indústria local tem condições de atender à demanda criada pela duplicação da BR.

Para ele, o setor de construção civil e pesada local pode se beneficiar com as obras. “O foco para a indústria regional não é só trabalhar na obra, mas fazer a obra, que é muito importante para o escoamento da produção local”, disse. “A logística é complicada para o transporte de equipamentos da indústria naval e a duplicação da BR-381 é muito importante para nós”, acrescentou.

 

Fonte: Minas em Gerais