As marcas do cinema de Clint Eastwood
Luísa Pécora
Em cartaz com "Jersey Boys", diretor é conhecido pelo estilo simples e eficiente e os personagens marcados pelo passadoEm cartaz no Brasil, "Jersey Boys: Em Busca da Música" é o 33º filme do diretor Clint Eastwood, que aos 84 anos não dá sinais de aposentadoria e já prepara outro, "American Sniper", para o ano que vem.
Crítica: Com "Jersey Boys", Clint Eastwood leva sucesso da Broadway ao cinema
Tendo começado a carreira como ator, Eastwood passou para trás das câmeras pela primeira vez em "Perversa Paixão" (1971) e buscou inspiração nos diretores com quem trabalhara, em especial Sergio Leone e Don Siegel.
Ganhou respeito com filmes como "Josey Wales - O Fora da Lei" (1976), "Honkytonk Man" (1982) e "Bird" (1988); se consagrou com "Os Imperdoáveis" (1992), faroeste que lhe rendeu o Oscar e é, até hoje, sua obra-prima; e nos anos 2000 inaugurou uma nova fase, marcada por dramas de forte impacto emocional, ganhando outro Oscar por "Meninas de Ouro" (2004).
Nos 43 anos de carreira como diretor, Eastwood experimentou diferentes gêneros e ficou famoso por um estilo econômico de filmagem que se refleta nas telas: o diretor dá mais atenção à história e aos personagens do que às marcas de estilo, o que não impede que seus filmes tenham algo de inconfundível.

Imagem do filme 'Jersey Boys', de Clint Eastwood
Foto: Divulgação

Imagem do filme 'Jersey Boys: Em Busca da Música'
Foto: Divulgação

Imagem do filme 'Jersey Boys: Em Busca da Música'
Foto: Divulgação

Imagem do filme 'Jersey Boys: Em Busca da Música'
Foto: Divulgação

Imagem do filme 'Jersey Boys: Em Busca da Música'
Foto: Divulgação

Imagem do filme 'Jersey Boys: Em Busca da Música'
Foto: Divulgação

Imagem do filme 'Jersey Boys: Em Busca da Música'
Foto: Divulgação

Imagem do filme 'Jersey Boys: Em Busca da Música'
Foto: Divulgação

Imagem do filme 'Jersey Boys: Em Busca da Música'
Foto: Divulgação

Imagem do filme 'Jersey Boys: Em Busca da Música'
Foto: Divulgação

Imagem do filme 'Jersey Boys: Em Busca da Música'
Foto: Divulgação
Veja as principais características do cinema de Clint Eastwood:
Filmagem enxuta
Clint é conhecido por fazer filmagens rápidas e sem estresse. Costuma finalizar os filmes dentro do orçamento e do tempo previsto, mantém o set silencioso e gosta de fazer poucas tomadas de cada cena - de preferência, apenas uma.
À revista "Esquire", ele explicou: "Tento fazer o que for necessário. Se for uma tomada, ótimo. Se forem dez, é o que precisa ser feito. Artisticamente, porém, gosto de ver a pessoa na primeira vez em que a situação passa por seu cérebro e por seus olhos, na primeira vez em que as palavras vão à boca. Vi atores fazerem coisas incríveis na primeira tomada. Há um estilo Clint? Acho que o estilo Clint é apenas perceber que você conseguiu quando conseguiu. E se não conseguiu, perceber que não conseguiu. E agir de acordo."
Menos é mais
O estilo de produção econômico se reflete nos filmes de Clint, que costumam ser estruturalmente simples. Há ocasiões em que opta por flashbacks e saltos no tempo (como em "Bird" e "Jersey Boys"), mas o diretor prefere seguir a regra do menos é mais e contar uma boa história de forma linear e eficiente.
O foco no enredo e nos personagens faz com que uma das principais marcas de Eastwood seja evitar deixar marcas. "Todos os filmes que Clint dirigiu têm em comum um certo estilo e atitude - mais atitude do que estilo", escreveu o biógrafo Richard Schickel."É um cineasta que não quer ser entendido rápido demais e que prefere não mostrar sua mão."
Ritmo lento e cenas escuras
Em termos formais, uma das principais características do diretor é a preferência por um ritmo lento - tanto no movimento de câmera quanto na edição. Clint filmou muitas cenas de tiroteios e perseguições, mas mesmo nos longas de ação procurou desenvolver as histórias e personagens com calma.
Eastwood fez a trilha sonora de vários de seus filmes, principalmente depois de "Sobre Meninos e Lobos" (2003), e elas costumam ser melancólicas e marcadas principalmente pelo som do piano. O cineasta também é fã de cenas escuras, com muita sombra e por vezes acinzentadas, que não revelam os atores e ambientes por inteiro.
Personagens marcados pelo passado
Muitos dos personagens dos filmes de Eastwood são pessoas marcadas pelo passado, que têm de lidar com erros, crimes, remorsos e separações, eternamente ligadas a sua origem e a seus atos. Will Munny, de "Os Imperdoáveis", é o melhor exemplo disto: um pistoleiro aposentado que aceita um último trabalho para poder sustentar a família.
A partir de "Os Imperdoáveis", Clint deu início a uma espécie de revisão da imagem de machão que conquistou ao longo de tantos faroestes e policiais, especialmente após a franquia "Dirty Harry". Muitos de seus filmes recentes lidam com questões morais complexas, refletindo sobre masculinidade e violência. "Gran Torino" (2008), o último no qual dirigiu a si mesmo, é o caso mais evidente.
Colaboradores frequentes
Clint deu muitos papéis para si mesmo: atuou em mais de 20 de seus filmes. O cineasta gosta de manter a mesma equipe, tendo trabalhado repetidamente com profissionais como o editor Joel Cox, o produtor Robert Lorenz, o diretor de arte Henry Bumstead, o diretor de fotografia Tom Stern, a figurinista Deborah Hopper e a diretora de casting Phyllis Huffman, entre outros. Em alguns casos, a parceria ultrapassa a marca de 30 filmes.
