Otan pede que Rússia retire tropas da fronteira com a Ucrânia, se quiser diálogo
iG São Paulo
Secretário-geral diz que ao menos 40 mil soldados continuam na fronteira; Rússia discutirá crise ucraniana com os EUA e a UEA Rússia deve retirar suas tropas da fronteira da Ucrânia, se quiser iniciar um diálogo para discutir a crise na região, de acordo com o secretário-geral da Otan, Organização do Tratado do Atlântico Norte, Anders Fogh Rasmussen, nesta quinta-feira (10).
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Rasmussen afirmou, em uma entrevista à imprensa durante visita à capital da República Tcheca, membro da aliança militar, que qualquer outra ação militar da Rússia terá consequências graves e duras sanções econômicas.
O secretário-geral disse ainda que, segundo observações feitas pela Otan, a Rússia tem cerca de 40 mil militares perto da Ucrânia.
Ucrânia
O presidente em exercício ucraniano, Oleksandr Turchynov, prometeu nesta quinta que os ativistas pró-Rússia que ocupam prédios do governo nas cidades orientais de Donetsk e Luhansk não serão processados, caso entreguem suas armas.
Enquanto discursava no parlamento da Ucrânia em Kiev, Turchynov elogiou os ativistas em Luhansk, que começaram a negociar com as autoridades nacionais e encorajaram os rebeldes em Donetsk a seguir o exemplo.
Centenas de manifestantes armados pró-russos ocupam um prédios da administração do governo regional em Donetsk e do Serviço de Segurança da Ucrânia em Luhansk desde domingo (6). Eles exigiram um referendo sobre a autonomia ou mesmo a secessão das cidades pelas novas autoridades de Kiev, que tomaram o poder depois que o presidente pró-Kremlin Viktor Yanukovych fugiu do país em fevereiro, após ser deposto. Manifestantes também invadiram o prédio da administração regional em Kharkov.
As tensões ainda são altas em Donetsk, onde cerca de 1 mil manifestantes do lado de fora do prédio ocupado gritam "Rússia! Rússia!". Manifestantes ergueram ainda linhas de barricadas, acumulando pneus de borracha ou tijolos utilizados em construção de paredes e paralelepípedos.
Rússia
Já o governo russo condenou o secretário-geral por "zelosamente reproduzir retórica da Guerra Fria", enquanto como as tensões entre a aliança de 28 nações e Moscou fervem sobre a crise ucraniana. Em comunicado publicado nesta quinta, o Ministério das Relações Exteriores russo atacou Rasmussen, acusando-o de transformar a Otan em um "clube de elite" que empregava "padrões duplos" na política internacional.
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Em discurso realizado em Paris na última terça-feira (8), Rasmussen pediu que a Rússia retirasse suas dezenas de milhares de tropas na fronteira da Ucrânia.
De acordo com a Aliança, Moscou está usando as tropas para pressionar o governo de Kiev, além de se preparar para uma possível invasão. Em março, as tropas russas tomaram o controle da Criméia cujos habitantes, em seguida, escolheram se separar da Ucrânia e ser anexada à Rússia por meio de um referendo.
Confira fotos da ocupação russa na Ucrânia

Homens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3)
Foto: AP

Soldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3)
Foto: Reuters

Um homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3)
Foto: Reuters

Marinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3)
Foto: AP

Criança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3)
Foto: AP

Soldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3)
Foto: AP

Grupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3)
Foto: AP

Comboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3)
Foto: AP

Homem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3)
Foto: AP

Soldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
Foto: AP

Emblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3)
Foto: AP

Homens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3)
Foto: AP

Homens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3)
Foto: AP

Homem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia
Foto: AP

Soldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3)
Foto: AP

Soldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3)
Foto: AP

Soldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia
Foto: AP

Homem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2)
Foto: AP
Vídeo: Deputados na Ucrânia trocam socos e safanões
Discutindo a crise
Rússia, Estados Unidos, Ucrânia e União Europeia vão se reunir na próxima quinta-feira (17) para tentar negociar um fim para a crise na Ucrânia, segundo diplomatas europeus.
A Rússia tem afirmado que quer mais informações sobre a agenda dessa reunião e, embora não haja de imediato mais detalhes sobre o encontro, diplomatas da União Europeia afirmam que está mantido.
A chefe de Relações Exteriores da UE, Catherine Ashton, vai prestar informações à maioria dos chanceleres do bloco na segunda-feira, disseram três diplomatas, que pediram anonimato.
"Nós precisamos manter o canal do diálogo aberto, mesmo se consideramos futuras sanções", disse um dos diplomatas. "A solução para a crise será por meio de negociações."
A Rússia, que desafiou a Ucrânia e o Ocidente ao anexar a Crimeia no mês passado, não quer ser forçada a participar de conversas com o governo interino ucraniano, devido ao papel que teve na deposição do ex-presidente Viktor Yanukovich, um aliado russo, o que Moscou chamou de um golpe armado, incentivado por países do Ocidente.
*Com Reuters e AP
Fonte: Notícias do Último Segundo: o que acontece no Brasil e no Mundo