Falha em lista de busca da Interpol mantém até suspeito que já está preso

Suspeito de participação em sequestro foi preso em outubro de 2012, mas até esta semana constava como foragido internacional. Ele foi solto por excesso de prazo para conclusão do inquérito Interpol / Divulgação

A falta de um cadastro nacional para interligar tribunais e polícias com informações sobre foragidos internacionais faz a Interpol manter a busca por pessoas que já foram encontradas e até cumprem pena.

A reportagem do R7 identificou três mineiros que integram a lista de difusão vermelha da Interpol que têm o paradeiro conhecido - um deles cumpre pena em Uberlândia, no Triângulo, desde 2010. As informações foram repassadas para a PF, que enviou para a Interpol a retirada dos alertas.

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A chefe da representação da Interpol em Minas e delegada da PF Fátima Bassalo reconhece que a falta de regulamentação da matéria deixa a Justiça e Polícia Federal sem comunicação eficiente. Alertada sobre os casos, enviou o pedido de retirada da difusão vermelha para a Superintendência da PF em Brasília. Atualmente, a instrução normativa 01 de fevereiro de 2010, do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), define como o juiz deve informar à PF nestes casos, mas outros tribunais não recebem o mesmo alerta.

— Isso desgasta uma ferramenta eficiente de busca e a mantém desatualizada. Quando o juiz expedir o mandado de prisão e tiver conhecimento de fuga do Brasil, deve informar a PF, que precisa da ordem judicial autorizando a publicação do alerta. Como não há regulamentação, o réu pode ter mais de um processo e um juiz nem sabe que em outro caso a pessoa é considerada foragida pela Interpol.

Sem conversar entre si, os sistemas de busca trazem prejuízos para a investigação policial.

— Precisa ser um sistema único de comunicação. Toda vez que buscasse um nome, deveria constar onde foi preso, em que varas responde a processos, todo o histórico. Hoje há sistemas estaduais que se comunicam, mas não há uma integração.

O absurdo da situação é que é mais fácil atualizar o cadastro quando o foragido é preso no exterior. Se for no Brasil, não há garantias.

— Quando a prisão é feita no exterior, a PF toma conhecimento. Caso o foragido seja preso no Brasil, e o juiz não saiba do alerta, ele não comunica a Polícia Federal, e ficamos a ver navios.

Procurados pela reportagem, o Ministério a Justiça afirmou que não possui controle sobre foragidos em situação irregular no cadastro da Interpol e que não há informação sobre projetos para unificar o sistema de comunicação. O Conselho Nacional de Justiça se limitou a dizer que a instrução normativa 01 é o modelo que rege a comunicação de foragidos entre a Justiça e a PF.      

Fonte: R7 - Minas Gerais