Metade das mortes de crianças mineiras são causadas por violência e acidentes
Em junho de 2009, o delegado Frederico Abelha, que até então atuava em Divinópolis, no centro-oeste do Estado, foi obrigado a tomar uma atitude drástica. Ele interrompeu o velório de uma criança de cinco meses, que supostamente teria morrido cair do colo da mãe, depois de ser informado pelo Conselho Tutelar sobre o histórico de abusos contra o bebê. O corpo foi levado ao IML, onde o crime foi constatado: o próprio pai matou a filha espancada.
Casos como este fazem parte das estatísticas levantadas pela pesquisadora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Helena Romero: seu estudo apontou que cerca de 51% das crianças de um a nove anos morrem em decorrência de acidentes ou violência doméstica. Os números foram colhidos a partir do Ministério da Saúde, entre os anos de 2005 a 2010.
— Percebemos que a maioria dos óbitos acontecem em casa, por fata de orientação com relação à acidentes ou por violência cometida pelo próprio familiar.
A pesquisadora reflete sobre a necessidade de políticas públicas que detectem precocemente este tipo de ocorrência e tome providências para evitar que as agressões cheguem a este nível. Já com relação aos acidentes ou “causas externas”, ela aponta a falta de orientação como fator predominante.
— Os acidentes ocorrem por falta de orientação mesmo, como por exemplo sobre a posição adequada para o bebê dormir ou o cuidado com afogamentos em banheiras. Neste caso, o profissional de saúde deve informar os responsáveis de acordo com a faixa etária da criança.
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Histórico de abusos influencia violência
Titular no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) de Belo Horizonte, o delegado Frederico Abelha alega que atende “casos pontuais” semelhantes ao que vivenciou em 2009. Segundo ele, muitas vezes a conduta dos pais diz respeito ao que passaram na infância.
—Em muitos casos, eles foram crianças que apanharam muito e transpassam esta conduta ao filho, acham que é normal.
Por outro lado, o delegado ressalta que algumas ocorrências acontecem devido à psicopatia dos agressores ou à falta de estrutura da família, em que o pai passa a rejeitar o filho.
— Alguns casos a mulher engravida contra a vontade do pai, que passa a ver a criança como uma despesa a mais, e não como filho.
O alcoolismo é outro fator de risco contra crianças apontado pelo delegado e reforçado pelo especialista em segurança pública, Luiz Flávio Sapori. Segundo ele, o álcool “pode complicar muito as relações e envolver consequências danosas para a criança”. Abelha lembra ainda que uma das principais formas de combate a este tipo de crime é a denúncia.
— As crianças são vítimas em silêncio. Por isso, é importante a conscientização da sociedade para que todos denunciem caso saibam de alguma ocorrência de violência.
Prevenção
Segundo a Sedese (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social), além do disque direitos humanos, que encaminha qualquer tipo de denúncia sobre violência aos órgãos responsáveis, o Governo do Estado lançou em 2008 a campanha “Proteja Nossas Crianças”. O objetivo é combater qualquer tipo de violação contra os direitos da criança e do adolescente a partir de ações educativas e blitze em pontos estratégicos do Estado.
