Após manobras e adiamentos, acusados do Massacre de Felisburgo vão a júri em BH
Começa na manhã desta quinta-feira (10), em Belo Horizonte, o julgamento de Adriano Chafik e de três pistoleiros acusados de comandar o Massacre de Felisburgo, que matou cinco trabalhadores em um acampamento do MST em 2004.
Esta é a quarta tentativa de julgá-los, já que manobras da defesa impediram as outras sessões - duas delas neste ano. Em agosto, o advogado de Chafik não compareceu ao tribunal, e o juiz Glauco Fernandes determinou a prisão dos réus até novo júri. Um habeas corpus do STJ, entretanto, colocou o fazendeiro em liberdade 20 dias depois.
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São esperados cerca de 600 militantes do MST em frente ao fórum. Eles estão acampados desde ontem na Assembleia Legislativa e na superintendência do Incra em BH. Um dos coordenadores do MST, Enio Donenberg, reclama de impunidade, já que a chacina completa nove anos sem um único julgamento.
— Essas manobras são uma aberração jurídica, inclusive a decisão do STJ. É a quinta vez que nos mobilizamos para pedir a condenação, estamos gastando tudo que temos para arrecadar dinheiro. O pessoal faz até leilão de bezerro.
O dirigente do MST afirma que 62 famílias continuam morando no acampamento Terra Prometida, na fazenda Nova Alegria, no Vale do Jequitinhonha, e sofrem ameaças.
— Na sociedade mineira a gente não vê ninguém defendendo o Chafik. Ele tem bases na Bahia, é sustentado por grupos fortes lá.
Adriano Chafik responde por cinco mortes, 12 tentativas de homicídio, formação de quadrilha ou bando e incêndio. Os três homens acusados de ser os pistoleiros também vão a júri: Washington Agostinho da Silva, Francisco de Assis Rodrigues de Oliveira e Milton Francisco de Souza são acusados pelos homicídios e tentativa de homicídio.
