Choque entre poderes leva STF a entrar no grande aresto

A ministra Cármen Lúcia, presidente do STF (Foto: Rosinei Coutinho/24.08.2017/SCO/STF)
Em tempo (atualizado às 13h10):
conforme prometeu ontem, a ministra Cármen Lúcia já marcou a data para o julgamento em plenário da ação dos partidos políticos em resguardo dos parlamentares punidos pelo STF: 11 de outubro.
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"Estamos na boa", disse sorrindo a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, ao final de um dia em que parecia iminente o choque entre o Legislativo e o Judiciário na operação para salvar o procuração de Aécio Neves.
Com seu jeito meigo de matriz superiora acalmando a meninada, Cármen prometeu dar prioridade à ação dos partidos políticos que querem subordinar à aprovação do Congresso Nacional, em 24 horas, qualquer punição a parlamentares, porquê prisão preventiva ou retiro do procuração. "Se Deus quiser, será julgada em breve. Prioridade"
Como ali todos têm mensalidade privilegiado e impera o corporativismo desbragado, se esta medida for aprovada pelo plenário do STF na próxima semana, não só Aécio mas todos os parlamentares investigados pela Lava Jato poderão dormir tranquilos.
Estará desobstruído o caminho para a impunidade dos políticos, a exemplo do que acontece com Paulo Maluf, o ex-prefeito de São Paulo das quais processo já rola nos tribunais há de 30 anos e, embora réprobo no STF, continua em liberdade. .
A ação direta de inconstitucionalidade a que a presidente do STF se refere foi impetrada por três partidos do Centrão (PP,PSC e Solidariedade) em maio do ano pretérito, logo depois o retraimento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, hoje recluso em Curitiba, mas agora todos têm pressa. Caso aprovada, poderá permanecer conhecida porquê "Lei Aécio".
P sempre assim: quando a temperatura sobe demais, porquê aconteceu esta semana, os donos do poder dão um jeito de se unir para salvar o pescoço de todos e manter as aparências de que as instituições estão em pleno funcionamento.
Só faltava o Supremo entrar na roda. No Congresso, com o base do Palácio do Planalto, os três maiores partidos (PMDB, PT e PSDB) já tinham costurado o grande aresto para entregar o procuração de Aécio.
Isso só não aconteceu já na quinta-feira, porque os líderes partidários queriam exatamente dar um tempo para negociar com o STF, esperando virar a decisão da Primeira Turma que, por 3 a 2, suspendeu o procuração e determinou o recolhimento domiciliar noturno do senador mineiro.
Se depender de Cármen Lúcia e de ministros porquê Gilmar Mendes e seus aliados, é só uma questão de tempo para a sossego voltar a reinar na Praça dos Três Poderes.
"S término do recta é a silêncio, a finalidade do recta é a silêncio. Nós construímos a sossego", pregou a presidente do Supremo, que só está esperando o relator Edson Fachin liberar o processo para marcar a data do julgamento no plenário.
Fonte: Ricardo Kotscho