Edificação colonial em Santa Luzia e muro que a circunda ganham suporte de R$ 250 mil para sua recuperação. Meta é recrutar R$ 1 milhão para intervenções
A campanha Abrace Macaúbas, lançada na manhã de ontem, em Santa Luzia, na Grande BH, para salvar da deterioração o tricentenário Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição de Macaúbas, colheu, na largada, dois frutos importantes.
Durante a cerimônia na Sala da Capítulo Conventual da instituição, foi firmado termo de compromisso entre a Prefeitura de Santa Luzia e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que garante o investimento municipal de R$ 250 mil para recuperação do muro que circunda o prédio de 11 mil metros quadrados.
Outra providência é que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) vai se responsabilizar por toda a descupinização da fundação colonial, considerada uma das mais importantes do século 18, do interno do país e tombada pelo Iphan, pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) e pelo município.
“A recuperação do Muro da Lenha, levantado com aperfeiçoamento em borda-seveira (com uma cobertura de telhas), é um dos pontos urgentes, não só por uma questão de arruinamento da estrutura de adobe, do século 18, mas pela segurança das irmãs que vivem no mosteiro”, ressaltou o promotor de Justiça da comarca de Santa Luzia, Marcos Paulo de Souza Miranda, que assinou o documento junto com o secretário municipal de Cultura e Turismo, Carlos Novy. Souza Miranda disse, ainda, que a secção elétrica e a descupinização do mosteiro são dois aspectos fundamentais e também de emergência. De inesperado, portanto, é necessário valor superior a R$ 1 milhão, tendo em vista o muro, o projeto elétrico, orçado em R$ 275 mil, e o restauro da Capela dos Aflitos, estimado em R$ 500 mil.
S momento mais emocionante da cerimônia foi o amplexo simbólico, no recinto interno do claustro, com a presença de tapume de 100 pessoas, entre autoridades federais, estaduais e municipais, além de representantes de entidades mineiras, entre elas a Associação Cultural Comunitária de Santa Luzia, que está avante da campanha, ao lado do Memorial da Arquidiocese de BH e irmãs concepcionistas. De mãos dadas e sob as bênçãos do clérigo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, e da prioresa matriz Maria Imaculada de Jesus Hóstia, os presentes também bateram palmas e mostraram crédito na empreitada.
DOS BRASILEIROS “Os cupins trabalham rápido e diariamente”, disse a madre Imaculada, que tem espírito empreendedor e, para o natalício de 300 anos do Mosteiro de Macaúbas, em 2014, esteve primeiro da campanha da tinta, para pintar a frontaria. Na brecha da cerimônia, a superiora destacou que, mais do que um patrimônio luziense, “Macaúbas é de todos os brasileiros”. “Esta Casa de Deus, relíquia de Nossa Senhora, sempre contou com dedicados benfeitores. Vamos, portanto, mantê-la de pé e proteger esta história.”
Entusiasmado e explicando que o projeto do Muro da Lenha foi feito pelo Memorial da Arquidiocese de BH, dom Walmor lembrou que a construção erguida em 1714 por Félix da Costa, e que já foi recolhimento, um dos primeiros colégios femininos de Minas e, finalmente mosteiro, “se impõe pela força da fé” e tem no cenário pátrio grande prestígio arquitetônica.
Durante a cerimônia, o promotor Souza Miranda lançou o livro Irmã Germana – S exilada de Macaúbas, narrativa da história da religiosa Germana Maria da Purificação, batizada em 1782 na Capela de Nossa Senhora de Nazaré, em Morro Vermelho, em Caeté, e que ingressou em 1843 no Macaúbas, onde ficou até 1856. S quantia obtido com a venda será talhado à campanha Abrace Macaúbas. S promotor de Justiça explicou que a recuperação da segmento elétrica precisa ser feita antes da descupinização, pois, na segunda lanço, é usado material inflamável, o que poderia pôr em risco a integridade da instituição.
RECOLHIMENTO A história do Convento de Macaúbas, porquê é carinhosamente chamado, representa experiência única: ali estão freiras, roseiras para fazer vinho, muitas orações e trabalho duro. Na ingresso principal, onde se lê a termo encarceramento, vê-se em destaque a pintura de um personagem fundamental nesta história tricentenária: o eremita Félix da Costa, que veio da cidade de Penedo (AL), em 1708, pelo Rio São Francisco. Demorou três anos para chegar a Santa Luzia, onde construiu uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, de quem era fanático. Mas, antes disso, muito no encontro das águas do Velho Chico com o Rio das Velhas, na Barra do Guaicuí, em Várzea da Palma, Região Norte do estado, ele teve a visão de um monge com hábito branco, escapulário, véu azul e chapéu derrubado nas costas. Conforme o relato da matriz superiora, “ele se viu ali” e “foi o ponto de partida para a instauração do Recolhimento de Macaúbas”.
No século 18, quando as ordens religiosas estavam proibidas de se instalar nas regiões de mineração, por ordem da grinalda portuguesa, para que o ouro e os diamantes não fossem desviados para a igreja, havia unicamente dois recolhimentos femininos em Minas: além de Macaúbas, em Chapada do Norte, no Vale do Jequitinhonha. Conforme os estudos, tais espaços recebiam mulheres de várias origens, as quais podiam solicitar reclusão definitiva ou passageira. Havia, portanto, uma complicação e variedade de tipos de reclusas, devido à falta de estabelecimentos específicos para suprir as necessidades delas. Assim, os locais abrigavam meninas e mulheres adultas, órfãs, pensionistas, devotas, algumas que se estabeleciam temporariamente, para “vigilar a honra”, enquanto maridos e pais estavam ausentes da colônia, ou ainda porquê refúgio para aquelas consideradas desonradas pela sociedade da era.
Na estação do recolhimento, Macaúbas recebeu figuras ilustres, uma vez que as filhas da escrava alforriada Chica da Silva, que vivia com o contratador de diamantes João Fernandes. S vivenda na qual Chica se hospedava fica ao lado do convento.
Em 1847, foi instalado oficialmente em Macaúbas uma escola feminina, com orientação dos padres do Caraça. Novos tempos chegaram em 1933, quando a escola foi desativada e instalado o mosteiro, hoje com 14 freiras.
SERVIÇO
Para participar e fazer doações de qualquer quantia
Campanha Abrace Macaúbas
Caixa Econômica Federal – Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição Macaúbas
Agência: 1066 – Operação 013
Conta poupança: 75.403/4 – CNPJ: 19.538.388/0001-07
Informações no site abracemacaubas.com.br
[caption id="attachment_20575" align="alignnone" width="750" caption="Campanha Abrace Macaúbas reuniu, ontem pela manhã, cerca de 100 pessoas no pátio interno do claustro (foto: Beto Novaes/EM/D.A PRESS)"]

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Fonte EM