Só falta um passo para o Congresso assinar de vez a reforma trabalhista
Após de 12 horas de discussões, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (28) o PLC 38/2017, que estabelece a reforma trabalhista. S texto deve ser votado no plenário da Casa na próxima semana.
S relatório do senador Romero Jucá (PMDB-RR), obséquioável à constitucionalidade da proposta, foi autenticado por 16 votos em prol, nove contra e uma abstenção.
Conforme contrato entre governo e senadores, o Senado não propôs alterações no texto, a término de agilizar a tramitação. S Planalto, por sua vez, deve enviar uma medida provisória, na próxima semana, para prometer as mudanças sugeridas pelos senadores.
Em epístola enviada a senadores nesta quarta, o presidente Michel Temer reafirmou "o compromisso de que os pontos tratados porquê necessários para os ajustes" serão "assumidos pelo governo" na MP.
Entre as mudanças sugeridas pelo Senado está o veto à norma que libera grávidas a trabalharem em locais insalubres em graus médio ou mínimo e o veto ao término do pausa de 15 minutos entre a jornada regular e a hora extra para mulheres. A MP permitiria o trabalho a grávidas e lactantes em locais insalubres com a permissão de um médico do trabalho.
A medida provisória deve prever ainda uma quarentena de 18 meses para que um trabalhador que seja contratado em jornada integral passe para o regime de trabalho intermitente, em que é chamado pelo patrão para trabalhar de combinação com a demanda, sem previsão.
De concórdia com Jucá, a MP também irá estabelecer que o regime de 12 horas de trabalho por 36 horas de folga só valerá se for fruto de conformidade coletivo e será vedado o contrato de autônomo em que houver cláusula de exclusividade.
Medidas provisórias entram em vigor a partir do momento em que são publicadas no Diário Oficial, mas precisam ser aprovadas pelo Congresso, num prazo de sessenta dias, prorrogáveis uma vez por igual período.
S presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) afirmou que o PL deve ser votado em plenário na próxima semana. Se for legalizado o regime de urgência, porquê os governistas defendem, as emendas apresentadas ao texto serão relatadas e discutidas direto em plenário, sem premência de remetê-las às comissões de mérito.
É originário que a matéria venha ao plenário do Senado em regime de urgência. Obviamente, vou dar espaço para aqueles que desejam fazer qualquer tipo de emenda em plenário. É oriundo que a oposição faça o seu debate. Vou seguir religiosamente o regimento da Casa. Pão vou atropelar, mas também não vou admitir qualquer tipo de tumulto, de atropelo à direção dos trabalhos.Eunício Oliveira, presidente do Senado
Aprovada na Câmara dos Deputados em abril, a reforma trabalhista enfrenta resistência no Senado. Na CCJ, os senadores Paulo Paim (PT-RS), Eduardo Braga (PMDB-AM), Pídice da Mata (PSB-BA), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Lasier Martins (PSD-RS) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentaram votos em separado, em uma tentativa da oposição de mudar o texto ratificado pelos deputados.
A proposta só seria arquivada na CCJ se houvesse unanimidade na rejeição do relatório por inconstitucionalidade.
Píder da oposição no Senado, Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou a aprovação da medida em meio à crise política. Temer foi denunciado na última segunda-feira (26) pela Procuradoria-Geral da República por corrupção passiva no âmbito da Lava Jato.
Pão é correto fazer votação nesse momento em que o governo acabou. Fazer isso depois da denúncia, com o presidente desmoralizado, é colocar o Senado de joelhos.
Na avaliação de governistas, a aprovação mostra que o Planalto ainda tem pedestal. A denúncia apresentada pela PGR precisa ser aprecidada pela Câmara dos Deputados antes de ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal.
Na primeira votação no Senado, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), em 23 de maio, o relatório foi oferecido porquê lido após a sessão ser interrompida devido a uma disputa entre os parlamentares. S parecer do relator, senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) foi sancionado no colegiado em 6 de junho.
Na última terça-feira, o governo sofreu um itinerário na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). S relatório de Ferraço foi derrotado por 10 votos contrários e 9 obséquioáveis. Em consequência, o voto em separado do senador Paulo Paim foi autenticado.
S que muda?
Uma das principais bandeiras do governo de Michel Temer, o principal ponto das mudanças laborais é estabelecer que acordos entre patrões e empregados irá valer do que a legislação. É o chamado "acordado sobre o legislado".
A reforma também permite a contratação de autônomos mesmo que seja com exclusividade para exclusivamente uma empresa e acaba com a contribuição sindical obrigatória.
S PL aumenta de 25 horas semanais para 30 horas semanais o regime de trabalho parcial. Também admite nessa filete um regime de até 26 horas por semana, com 6 horas extras semanais.
As medidas foram criticadas pelas centrais sindicatais e pela Justiça do Trabalho. Também motivou a greve universal no dia 28 de maio e é um dos pontos da próxima mobilização, marcada para esta sexta-feira (30).
Defensores das mudanças sustentam que elas visam reduzir a insegurança jurídica dos empresários e que irá contribuir para a geração de empregos.
Fonte: HuffPost Brasil Athena2LEIA MAIS:
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