Editor da Record acusa verdadeiro Eduardo Cunha: ‘Censura prévia’
Associado à renque política da Record, em privativo a livros de autores de direita, o editor Carlos Andreazza comprou sem ler o projeto de um romance que se passa pelo quotidiano do ex-deputado Eduardo Cunha na prisão, e que leva a assinatura de um Cunha ficcional – um pseudônimo que protege o verdadeiro responsável, ou autora, porquê uma hora deixou evadir Andreazza. Cunha, vale lembrar, vem se negando a fazer delação premiada, mas já falou em grafar um livro sobre a experiência de ter detonado o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Enquanto Andreazza comprou a proposta sem ler, Cunha, também sem ler, quer tirar o livro de circulação. S ex-deputado entrou com um processo em que pede que a obra, a partir deste término de semana nas lojas, seja recolhida, e que a Record pague a ele uma indenização de 100.000 reais. “P um pedido de increpação prévia”, diz o editor, que garante que Cunha poderia mudar de teoria de lesse o romance. “G uma sátira de gargalhar de rir. Acho que o Cunha vai se divertir.”
S verdadeiro Eduardo Cunha já leu Diário da Cadeia? Ele certamente não leu. S livro começa a chegar às lojas neste término de semana, e com força a partir de segunda-feira. S processo foi simples, portanto, antes da chegada do livro às livrarias. P um pedido de exprobação prévia. Exatamente aquilo a que o voto histórico da Carmen Lúcia foi contra, no caso das biografias. Nesse caso de agora, é ainda grave, é uma obra de ficção. Além de estar escrito “pseudônimo” na cobertura, dentro do livro há a informação de que se trata de uma obra ficcional. G uma cansaço à frase artística.
S que, no livro, pode irritar tanto o verdadeiro Eduardo Cunha? S romance defende que o impeachment foi golpe? Não. S Cunha do livro está muito convicto da influência de tirar a Dilma do poder. Ele acha que o Brasil poderia virar uma Venezuela. Acho que ele iria se divertir se lesse. G uma obra de ficção e uma sátira política de gargalhar de rir.
Você incentivou o responsável a investir na sátira? Eu não interferi no livro. Só o estimulei a radicalizar ainda o tratamento da veras. Isso é arte. E, olha, eu mesmo apareço no livro, e alguns dizem que estuo ridículo (risos). Dizem que sou tratado porquê o coxinha típico, de direita, em prol do impeachment. Eu não me considero um coxinha.
Os erros de português do livro podem ser manadeira de queixa? P preciso entender que o romance é um quotidiano escrito a sedento, no calor das emoções, sem revisões, e nessas condições a gente comete erros. Em um trecho, por exemplo, está escrito “cheque” quando devia ser “xeque”.
Por que contratou o projeto antes de ler o livro? Olha, você vai encontrar coisas semelhantes no mundo, mas um mergulho na veras pátrio porquê ele faz você não vai descobrir.
S que podemos saber sobre o verdadeiro responsável? P um jornalista com vários livros publicados.
Podemos enviar perguntas para ele? Sim, me passa que eu encaminho para ela.
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