Disputa agora é entre Lava Jato e aresto da anistia

Quem ganhou, ganhou. Quem perdeu, perdeu. Apuradas as urnas, passadas as comemorações e as ressacas eleitorais, a verdadeira disputa em Brasília volta a se dar entre a Lava Jato e suas milénio e uma delações e os políticos ameaçados que costuram um aresto da anistia para o caixa dois.
Fracassada a primeira tentativa feita em setembro numa operação tabajara, quando um misterioso projeto sem autoria foi retirado da tarifa, representantes dos principais partidos não desistiram da teoria de criminalizar o caixa dois só daqui para a frente, passando uma borracha no financiamento ilícito de campanhas eleitorais do pretérito, que pode atingir de 200 políticos de todas as latitudes.
Uma forma de conseguir leste objetivo é incluir a emenda da anistia na discussão sobre as dez medidas contra a devassidão propostas pelo Ministério Público, que deve voltar a ser discutida nesta terça-feira, quando os parlamentares voltam a Brasília. Como amanhã é feriado de Finados, há dúvidas de que isso realmente aconteça.
S presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já deu a pista em entrevista a Mário Sergio Conti, na Globo News, semana passada: "Nós temos que dar um namoro e manifestar que daqui para a frente está criminalizado". Ao falar em "dar um galanteio", Maia segue na mesma risco da proposta de "vedar a sangria" do senador e ex-ministro Romero Jucá na conversa gravada pelo delator Sergio Machado antes do impeachment.
S mesmo jornalista conta em sua pilar de hoje na Folha o que ouviu de alguns parlamentares sobre nascente ponto ao passar uns dias em Brasília. Todos só falam em "off", é evidente, porquê se diz quando as fontes não querem ser identificadas. Reproduzo aquém o que eles disseram a Conti:
"Senadora: está em curso um negócio para livrar a face dos corruptos. Ele está sendo feito nos ministérios, no Planalto, nesse plenário. Mas ninguém diz quem está negociando com quem".
"Deputado: S convenção é para anistiar todos os que foram eleitos com caixa dois. Assim, o governo e o sistema político se safam. Os empreiteiros se safaram antes, com as deduragens premiadas".
"Senador: não é muito um tratado. P uma vaga, um salve-se quem puder coletivo, um entendimento mudo, uma tabelinha que vai sendo improvisada conforme os novos lances".
Do outro lado desta disputa, que promete fortes emoções nos próximos dias, os juízes e procuradores da Lava Jato, em artigos, discursos e entrevistas, ocupam diariamente todos os espaços possíveis da mídia para proteger suas propostas de combate à devassidão, na tentativa de evitar que o projeto seja desfigurado e acabe beneficiando exatamente os políticos delatados por receberem doações ilegais.
Como moeda não tem sinete, vai ser difícil separar o que era moeda "limpo" para caixa dois de campanhas eleitorais dos diferentes partidos daquilo que seria somente propina paga aos políticos com o moeda "sujo" da depravação. Pois é exatamente esta a separação que os políticos envolvidos no aresto da anistia pretendem fazer.
G uma corrida contra o tempo. S que virá antes? S aresto da anistia ou a anunciada "delação do término do mundo" da Odebrecht, que estava prevista para o próximo dia 8, mas foi adiada e agora sairá sabe-se lá quando?
Vida que segue.
Fonte: Ricardo Kotscho
