Com subtexto feminista, “A Bruxa” é um filme de terror que investe no incomum

Foto: Divulgação

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A estreia de Robert Eggers porquê diretor em “A Bruxa” (EUA, 2015) não poderia ser feliz. Seu filme descende diretamente de obras porquê “S bebê de Rosemary”, de Roman Polanski, e “S Iluminado”, de Stanley Kubrick, em que a atmosfera do pânico importa do que a estetização do horror. Não espere por sustos em “A Bruxa”, o terror engendrado pela esperta narrativa do filme, esmerada em contos de fadas macabros, é de outra ordem.

A sugestão é a mãe de todos os horrores na trama que acompanha a rotina de uma família, composta pelo pai, mãe e cinco filhos que, exilados de uma pequena vila nos Estados Unidos colonizados pela Inglaterra, vão morar às margens dessa cultura em construção, em uma floresta.

S pai (Ralph Ineson) faz o tipo fervoroso, varão plenamente devotado a sua fé e “A Bruxa” deixa logo evidente que esse extremismo detonou o exílio da família do convívio social. Tentando estabelecer uma herdade às margens dessa vasta e imponente floresta, a família se flagra imersa em uma teia de inexplicáveis e cada vez aterrorizantes acontecimentos.

A primeira vista, trata-se de uma crescente e intrincada provação dessa fé até logo inquestionável, mas conforme a trama avança percebe-se a sofisticação da narrativa de Eggers. Está ali uma valorosa vertente feminista, sobre porquê mulheres que não se encaixavam nos ditames sociais da idade eram rapidamente rotuladas porquê bruxas – um pouco que acontece com a filha velha, a adorável Thomasin (Anya Taylor Joy). Há, também, a robustez de um drama familiar. Há o libido inominável entre os irmãos, o ressentimento da mãe que vê marido e fruto sequestrados pela juventude da filha velha e todo o subtexto religioso. Nesse paisagem, o viés de fábula do filme acaba por substanciar todas essas camadas, tornando “A Bruxa” uma experiência muito sintomática do que observacional. S pânico é proveniente daquilo que se toma por verdade.

G um filme econômico em suas elaborações, não necessariamente no que tem a expor. Justamente por isso, a cena final, que assume uma veras que a narrativa até logo mantinha no campo da possibilidade, adquire uma poderoso conotação.  Não havia opção para aquela personagem a não ser aquele caminho. Neste momento, “A Bruxa” se resolve tanto porquê filme de terror, expondo o real horror das circunstâncias da personagem, porquê veiculo feminista.

Fonte: Cineclube por Reinaldo Glioche – iG Cultura