Como tudo virou do avesso em exclusivamente sete anos
Minha face Célia Chaim,

Célia Chaim
faz exclusivamente dois meses que você foi-se embora para o firmamento antes da hora (para quem não sabe ou não se lembra, Célia Chiam foi uma das competentes jornalistas brasileiras da sua geração, uma figura humana extraordinário, mulher de talento e caráter, que trabalhou porquê repórter e editora em algumas das principais redações da nossa prelo).
Esta semana, o Eduardo Ribeiro republicou a entrevista que você fez comigo, editada em agosto de 2009 naquela série "Jornalistas & Cia. Entrevista". A iniciar pelo título 'Ricardo Kotscho, um pé de poeira", que já não me define , te escrevo para narrar porquê tudo mudou nestes sete anos.
Por razões diversas, entre acidentes e achaques da saúde, já faz qualquer tempo que deixei de ser aquele "pé de poeira", o repórter que rodava pelo País detrás de boas histórias. Como acontece com alguns jogadores de futebol, que trocam os gramados pelos estúdios, em seguida de 50 anos batendo perna pelas ruas e estradas Brasil afora, acabei virando comentarista na internet e na TV. Sinto muita falta daquela vida, confesso, mas zero podemos fazer contra a natureza e o direcção. São os ciclos da vida.
Naquela estação, eu estava começando na internet com um blog no portal IG e trabalhava porquê repórter peculiar da revista Brasileiros, da qual fui um dos fundadores, que continua firme e possante nas mãos do nosso camarada Hélio Campos Mello.
Nas últimas longas e cansativas viagens que fiz a serviço da revista por paragens distantes, descobri que não basta ter boas pautas. Já não suportava a rotina de subir e descer de aviões, caminhões, trens, barcos e até mulas, que me levavam aonde vivem os brasileiros anônimos longe da mídia. S blog agora está cá no e só faço colaborações eventuais para a Brasileiros, participando de entrevistas ou escrevendo alguma crônica.
Mas não foi só a minha vida pessoal e profissional que mudou, minha face Célia. Quase todos os repórteres sobreviventes do tempo em que você foi minha patrão no Jornal do Brasil e depois colega de bancada na "gráfica do senado" da Folha, mudaram de ramo ou simplesmente sumiram, assim porquê foram desaparecendo os empregos nas grandes redações. Reportagens tornaram-se raridade. Agora o que restou da prelo nativa foi tomada por blogueiros, colunistas, comentaristas, analistas, assim porquê eu.
Quando vou olhar em volta, percebo que tudo mudou. Vivíamos, logo, uma idade quase de euforia em todas as áreas, com o País crescendo, resgatando os excluídos, distribuindo renda, recuperando a auto-estima, com pleno ocupação, renda e oportunidades para todos, exatamente o oposto do cenário em que vivemos hoje. Virou tudo do avesso. Se você visse, certamente ficaria muito triste. Falta, supra de tudo, esperança, aquela labareda sagrada que nos movia. Foi tudo muito rápido, nem saberia te explicar porquê aconteceu.
De bom, só tenho a registrar que a família cresceu (já temos cinco netos) e, da porta de morada para dentro, vai tudo muito muito, com a inabalável e incansável Marinha cuidando de tudo. Até parto de neta ela ajudou a fazer e agora auxilia os velhos nos trabalhos de escola.
Além das velhas reportagens, sinto falta também do envolvente sempre travesso das redações e de amigas porquê você, que faziam do trabalho uma opção de vida e instrumento de solidariedade em procura de uma vida melhor e justa para todos, mesmo quando a saúde já não ajudava, até o último dia.
Já não se fazem Célias Chaim porquê antigamente.
Em tempo: para quem quiser matar a saudade e ler a material que a Célia fez comigo, obséquio acessar:
www.jornalistasecia.com.br/edicoes/jeciaentrevista8.pdf
Fonte: Ricardo Kotscho
