Arteterapia é muito mais do que fazer pinturas legais

Qualquer pessoa que tenha usado uma caneta para rabiscar um papel, lápis de cera para tingir um livro ou as mãos em barro molhada conhece os poderes curativos embutidos em tais esforços criativos.
Mais do que um passatempo, a arte pode ser uma fuga, um incentivo, um grito de guerra ou uma tranquila pausa.
A arteterapia, definida porquê “uma forma de psicoterapia que utiliza os meios artísticos porquê seu principal modo de informação”, gira em torno desse princípio do imenso poder da arte.
Aberto às crianças e adultos de qualquer formação e experiência, esse campo, ainda em desenvolvimento, explora modos de frase, entendimento e tratamento que ocorrem quando a tinta toca a tela.
Embora muitas escolas hoje funcionem sob a premissa que de a arte é irrelevante, um meandro das disciplinas acadêmicas tradicionais, os arteterapeutas sabem o que estão dizendo. Eles sabem que a arte tem o potencial de mudar vidas e até mesmo de salvá-las.
Tally Tripp é diretora clínica de arteterapia da Universidade George Washington, especializada em indivíduos que passaram por traumas. Tendo começado nesse campo desde seu surgimento, nos anos 70, Tripp foi fundamental em desenvolver essas atividades da forma porquê conhecemos hoje.
Dando seguimento à cobertura do The Huffington Post sobre o frequentemente incompreendido campo da arteterapia e sobre os pioneiros que continuam a esculpi-lo, conversamos com Tripp sobre o momento atual e o pretérito de sua curso.
Como você se interessou por arteterapia? Como tomou conhecimento sobre esse campo?
A primeira vez que ouvi falar de arteterapia foi definitivamente quando esse campo estava em sua puerícia. Pessoalmente, sempre adorei gerar arte e combinar isso com um interesse em trabalhar com as pessoas.
No escola, passava as temporadas de verão em Nova York trabalhando para a Children’s Aid Society com crianças pobres em um programa de camping.
Foi lá, porquê orientadora do programa de arte e artesanato, que vi uma das revistas originais sobre arteterapia: a Bulletin of Art Therapy (editada por Elinor Ulman e produzida entre 1961-1970).
Por muitos anos, aquela revista era a única publicação sobre arteterapia disponível. Na mesma era, em 1971, Elinor Ulman e seu colega, o psicólogo Bernard Levy, começaram um programa de arteterapia na Universidade George Washington.
Em pouco tempo meu objetivo era estudar arteterapia na GW [George Washington], o que consegui entre 1978 e 1981. Agora, depois de muitas voltas, sou professora titular do programa de arteterapia na GW e diretora da Clínica de Arteterapia da GW.
Como era a arteterapia quando você mergulhou pela primeira vez nesse campo?
No final dos anos 70, a arteterapia ainda era uma profissão novidade.
Foi definitivamente um período emocionante para o campo, já que nós estudantes tínhamos classes com os pioneiros: Elinor Ulman, Edith Kramer e Hanna Kwiatkowska – pensadores inovadores desenvolvendo abordagens clínicas que eram baseadas principalmente em percepção, combinadas com um pensamento psicoanalítico popular na idade.
Também, naquela era, havia poucos textos ou pesquisas sobre arteterapia que nos guiassem, por isso aprendemos basicamente com nossas experiências e trabalho galeno.
Como a arteterapia era uma profissão relativamente desconhecida, todos dedicamos tempo e esforços para propalar e educar os outros sobre seu valor.
S campo está estabelecido agora e pessoas já ouviram falar sobre arteterapia e entendem um pouco porquê funciona.
Os arteterapeutas agora possuem licenças em alguns estados, muito porquê níveis de credenciamento profissional e certificação.
Além disso, temos uma ampla literatura sobre arteterapia à nossa mão, incluindo estudos sustentando a eficiência da arteterapia e descrevendo porquê ela é usada em muitos contextos e populações.
Os arteterapeutas agora podem ser encontrados em vários contextos — em hospitais e centros psiquiátricos, escolas, unidades de geriatria, em comunidades e estúdios de arte, e em clínicas particulares.
Quais são suas áreas de interesse nesse campo?
Tenho feito atendimento pessoal em arteterapia há de 30 anos. Minha especialização é trabalhar com indivíduos que passaram por traumas.
Acredito que esses clientes são excelentes candidatos para a arteterapia precisamente porque a arte pode fornecer meios para expressar os sentimentos inexprimíveis, que muitas vezes estão trancados ou afastados da consciência em resposta a eventos traumáticos.
Tem sido animador ver que, nos últimos 25 anos, a pesquisa neurocientífica tem validado o tipo de trabalho que fazemos.
Através das imagens do cérebro, agora sabemos que o funcionamento cognitivo e executivo está, em sua maior secção, “off-line” quando as pessoas estão se lembrando de seus traumas, tornando-os essencialmente “sem palavras”.
Isso ajuda a explicar por que a terapia verbal tradicional muitas vezes não é suficiente quando se lida com traumas, e por que a arte (imagens) e outras terapias experimentais são tão eficazes.
Decidi entrar em contato com você principalmente devido ao Mês de Conscientização sobre o Suicídio. Em seu atendimento pessoal, você trabalha com muitos pacientes que lutam contra pensamentos suicidas?
Quais são os métodos que você utiliza em tais circunstâncias?
Qualquer terapeuta em suas consultas particulares terão de mourejar com pacientes que sofrem com pensamentos suicidas de vez em quando.
Crenças negativas e desesperança podem deixar o sujeito impotente para combater o libido de autoflagelação.
Para trabalhar com pensamentos suicidas, o galeno deve primeiro calcular o quão o projecto está desenvolvido e, se o paciente realmente está em risco iminente de originar danos a si mesmo, pode ser necessária a hospitalização.
Mas a hospitalização tem limites e é somente um passo.
Além das necessidades de segurança imediatas, trabalho no sentido de ajudar meus pacientes a desenvolver outras estratégias para enfrentar [a situação], para que assim possam mourejar melhor com seus sentimentos e encontrar respostas alternativas.
Algumas intervenções podem incluir gerar um projecto de segurança com uma jerarquia de ações a serem tomadas, ou elaborar uma lista de recursos que podem ser acessados rapidamente quando o impulso suicida surge, ou ajudar com uma variedade de técnicas de renovação comportamental e cognitiva, ou talvez aumentar a frequência das sessões terapêuticas etc.
Às vezes, recomendo uma atividade artística tranquilizadora porquê “prelecção de lar”, tais porquê matizar um livro ou uma revista, que podem ajudar a pessoa a se sentir apoiada e segura.
A arte pode acalmar a impaciência e ajudar a redirecionar a atenção para um pouco positivo e menos destrutivo do que um projecto suicida.
A maioria dos pacientes que você encontra já estão envolvidos com a arte?
G verdade que a maioria das pessoas pensa em ir a um arteterapeuta porque gostam de arte e já estão envolvidos de certa forma. Mas não é o único tipo de pessoa que se beneficiará da arteterapia.
Por exemplo, um varão com o qual trabalhei estava também em uma terapia para casais e foi guiado para mim porque foi estimado que ele precisava acessar emoções profundas.
Esse varão não tinha nenhum interesse aparente em arte, mas concordou em me ver porquê uma forma de experimento, já que a arteterapia havia sido recomendada.
Pedi que ele fizesse uma imagem com linhas e formas simples somente para “ver o que acontecia”.
Sua primeira imagem, uma risco simples inclinada para plebeu, foi criada em questão de segundos. Mas, quando ele segurou a “imagem” e a explorou à intervalo, ficou impressionado com o movimento para grave e logo exclamou: ‘Isso é exatamente o que venho tentando descrever.
G parecido com o pescoço da minha mãe. Vazio. Ela nunca foi capaz de me segurar de veste!’. A imagem e descrição de não ser segurado quando garoto se tornaram um tema fundamental em nosso trabalho.
E, em questão de meses, esse paciente se matriculou em curso de pintura e deu início a uma novidade crítica da arte.
Você poderia explicar o que espera obter com um paciente suicida por meio da arteterapia? Que mudanças pretende fazer?
Muitas vezes a obra de arte vai transmitir um sentimento suicida de desesperança ou desespero muito antes que as palavras estejam conscientemente disponíveis.
A imagem pode fornecer meios para discutir sentimentos que estão ou pouco claros ou difíceis de verbalizar. As obras de arte tendem a ser um autorreferencial, por isso trabalhamos ativamente com as imagens e temas que são produzidos.
Por exemplo, uma imagem de uma paisagem desolada pode sinalizar um sentimento vazio e um estado suicida no artista.
Embora eu não interprete a imagem, eu e o paciente trabalhamos juntos para explorar a metáfora e qualquer significado pessoal ou sentimentos que estão vinculados.
Porque a imagem é alguma coisa que podemos olhar juntos, dá a oportunidade tanto para o artista quanto para o terapeuta de “fazer” alguma coisa com ela.
A arteterapia pode empoderar o sujeito para encontrar a solução ou gerar “um final preferível” na arte. G interessante notar que gerar uma obra de arte que desafie os sentimentos iniciais de desesperança irão na verdade afetar o disparo neuronal do cérebro.
Quanto prática uma pessoa tiver em explorar “finais preferíveis”, por exemplo, o cérebro encontrará alternativas ao comportamento autodestrutivo. Então, a arte pode ser uma boa prática para buscar soluções e reduzir pensamentos negativos.
Existe um patente tipo de paciente que você acredita ser adequado à arteterapia em oposição a outros métodos terapêuticos?
Qualquer pessoa que está disposta a explorar sentimentos através do processo da arte pode se beneficiar da arteterapia. Algumas pessoas serão naturalmente atraídas para esse tipo de terapia — as crianças, em pessoal, onde sua linguagem originário é através da arte e da graçola.
Adolescentes também são bons candidatos para a arteterapia porque podem ser resistentes às terapias de conversa tradicionais e normalmente gostam de trabalhar com materiais artísticos.
Trabalho com adultos, no entanto, digo que ainda são crianças por dentro, já que muitas vezes é um adulto carregando aquela menino que chega ao meu consultório.
A arte ajuda a driblar a resguardo e a intelectualização inerentes à linguagem verbal. Quando um novo paciente (adulto) é guiado para mim, prelúdios perguntando: ‘Por que você acredita que a arteterapia vai ajudar?’.
Ali, estou formando uma coligação com o paciente, sugerindo que acredito que a natureza criativa e experimental da arte, na companhia atenta de um arteterapeuta, vai fazer a diferença.
S que torna a arteterapia tão poderosa?
Arteterapia é do que somente fazer pinturas legais. Na verdade, arteterapia é muitas vezes um processo de fazer pinturas feias ou bagunçadas que retratam um sentimento, não um resultado final todo bonitinho e arrumadinho.
A arteterapia tem a ver com aquele processo criativo onde o cliente, em companhia de um arteterapeuta, está trabalhando e retrabalhando problemas por meio de materiais artísticos fluidos e variados.
No atendimento pessoal, vejo que as peças de arte criadas espontaneamente são as significativas e, muitas vezes, ajudam a pessoa a encontrar uma solução para experiências traumáticas específicas.
S favor ocorre quando a arte realizada facilita uma sensação de domínio sobre o problema.
Por exemplo, um paciente que sofreu anos de injúria ou negligência na puerícia pode ser capaz de finalmente expressar sentimentos que haviam sido evitados ou empurrados para fora da percepção consciente, porque eram muito fortes na estação.
As imagens frequentemente falam tá do que as palavras.
Com o incentivo do arteterapeuta, os difíceis sentimentos podem ser expressados através da arte.
S processo varia muito, por isso não há uma maneira de descrever o que acontece em uma sessão.
Quando uma pessoa olha pela primeira vez para um papel em branco, pode possuir alguma resistência ou irresolução em explorar sentimentos, por isso as imagens resultantes podem brotar apertadas e controladas porquê em um esboço ou esboço a lápis.
Mas, depois que certa crédito é estabelecida no relacionamento terapêutico, o processo artístico pode se movimentar em direção a uma atividade expressiva, que sugeriria que o paciente está acessando uma emoção poderoso.
Muitas vezes o paciente começará a usar materiais evocativos nesse ponto, por exemplo, usando tinta ou barro para expressar raiva, vergonha ou susto.
S arteterapeuta conhece os problemas psicológicos e o uso de vários meios de arte; o processo é maleável e individualmente focado em concordar o paciente a encontrar materiais e técnicas que se conectem com os problemas em questão.
E à medida que um paciente se torna cândido ao processo e descobre recursos criativos dentro de si próprio, o resultado artístico também mudará.
Em arteterapia, sempre existe aquele limite criativo que mantém o processo dinâmico e contribui para o processo de tratamento.
Este cláusula foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.
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Fonte: Brasil Post






