Advinha quem vai remunerar a conta?

Foi uma semana difícil nesta crise que não é só econômica e nem exclusivamente combinada com a política; é também de crédito – ou de falta desta – é de prostração, vitaminada por frustração e, convenhamos também de caráter. Quando a Dilma chamou os governadores para falar de impostos, imaginamos que pediriam a ela para ter pensamento... Aprovaram a inacreditável teoria de novidade CPMF desde que, evidente, venha um pouco a para eles também...

Lembrei-me que minha Colega Camila Dias enviou-me trecho do diálogo da peça teatral “Le Diable Rouge”, de Antoine Rault, escrito 400 anos detrás. Vejam porquê é atual:

Colbert: Para colocar moeda, há um momento em que enganar o tributário já não é provável. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse porquê é provável continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço…

Mazarino: -Um simples mortal, evidente, quando está enroupado de dívidas e não consegue honrá-las, vai parar na prisão.Mas o Estado é dissemelhante!Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos os Estados o fazem!

Colbert: - Ah, sim? Mas porquê faremos isso, se já criamos todos os impostos imagináveis?

Mazarino : Criando outros.

Colbert: -Mas já não podemos lançar impostos sobre os pobres.

Mazarino : Sim, é impossível.

Colbert: - E sobre os ricos?

Mazarino: E os ricos também não. Eles parariam de gastar.E um rico que gasta, faz viver centenas de pobres.

Colbert: - Então, porquê faremos?

Mazarino: - Colbert! Tu pensas porquê um queijo, um penico de doente!Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer.G sobre essas que devemos lançar impostos,cada vez , sempre !Quanto lhes tirarmos, elas trabalharão para gratificar o que lhes tiramos.Formam um reservatório inexaurível.G a classe média! 

Fonte: Blog do Eduardo Costa - Últimas Notícias de -