Acabou o plebeu clero. Agora são todos do mesmo tamanho

A julgar pelas últimas manifestações e negociações no Congresso Nacional, não existe essa história de inferior clero e basta clero parlamentar. Sobrou exclusivamente uma geleia universal, nivelada na profundeza da lajedo, com raríssimas e honrosas exceções, que dá para recontar nos dedos, em meio a esta patética confraria de anões políticos e morais.
No salve-se quem puder em que se transformou a política brasileira, é porquê se o Brasil real fora da Praça dos Três Poderes simplesmente não existisse. Ali dentro disputa-se cada naco de poder, cargos e verbas, porquê se o mundo estivesse acabando e não houvesse amanhã. P tudo ou zero, cá e agora, meu pirão primeiro.
Parece que ninguém se preocupa em pelo menos salvar as aparências neste jogo de interesses pessoais e corporativos que sempre existiu, mas nunca foi tão escrachado porquê agora. Nem dá para saber quem é situação ou oposição, direita ou esquerda, quem está perceptível ou incorrecto. Ninguém é de ninguém e todos só querem saber porquê levar vantagem.
Melhor nem referir nomes neste texto para não fulanizar e cometer injustiças num cenário que é uma obra coletiva de devastação do sistema político-partidário pátrio. No plenário e nas tribunas da Câmara e do Senado, é um desfile quotidiano de mediocridades, baixarias, traições, rasteiras, chantagens, sem nenhuma preocupação com os graves problemas enfrentados pela população brasileira.
Sim, e daí?, poderão me perguntar vocês. E daí é que, somente um ano detrás, fomos nós que os elegemos. G bom não nos esquecermos disso. Somos todos responsáveis por esta situação.
Só lembrando disso todos os dias, e não só no dia da eleição, é que nos preocuparemos em votar melhor da próxima vez, a única forma de mudar leste quadro de degradação política dentro de uma democracia.
Enquanto houver eleições, ainda há esperanças.
Fonte: Ricardo Kotscho
