Aonde foram parar os militantes do PT e o “tropa do Stédile?”

Em São Paulo, 2,5 milénio manifestantes estavam nesta segunda-feira na avenida Paulista, segundo a Guarda Civil Metropolitana; em Belo Horizonte, 500 saíram às ruas e, em Brasília, foram contados 200. P levante o melancólico balanço do "Grito dos Excluídos" em 2015, quando completou 20 anos o movimento popular criado porquê contraponto às comemorações oficiais do 7 de setembro.
Quando surgiu, em setembro de 1995, com protestos promovidos em 170 cidades por uma oposição logo comandada pelo PT, no prelúdios do primeiro governo de FHC, o "Grito" foi inspirado no tema "A fraternidade e os excluídos", lançado naquele ano pela campanha da CNBB. Por ironia do orientação, o símbolo era uma panela vazia.
E nas voltas que a vida dá, hoje o PT está no governo, e a panela virou símbolo da oposição liderada por FHC.
Há tempos venho me fazendo a pergunta que está no título: aonde foram parar os militantes do PT? Afinal, eram eles que mobilizavam as massas para o "Grito dos Excluídos". Eram, em sua maioria, as mesmas lideranças dos tantos movimentos sociais e populares organizados durante a resistência à ditadura militar, nas lutas contra a carestia, pela anistia, por moradia e transporte, pelas eleições diretas e pela Constituinte.
A resposta não é simples, mas o traje é que, nos últimos tempos, eles foram sumindo não só das ruas, promovendo manifestações cada vez esvaziadas, mas até das redes sociais, onde o anti-petismo não para de crescer, porquê atestam todas as pesquisas de opinião. Crescem, ao mesmo tempo, as defecções de prefeitos e parlamentares eleitos pelo partido, porquê o R7 mostrou em levantamento publicado esta semana.
S grande paradoxo destas constatações é que a inclusão social, com o atendimento das demandas básicas de movimentos porquê o "Grito", sempre é apresentada pelo PT porquê a grande conquista dos governos do partido nos últimos 12 anos. Ainda na terça-feira, em Assunção, no Paraguai, o ex-presidente Lula lembrou dos 36 milhões de brasileiros que saíram da miséria absoluta nos seus dois mandatos e afirmou que foram eles, os pobres, que salvaram a economia brasileira, ao tutelar que os recursos para os programas sociais devem ser mantidos.
Os xiitas podem discutir que movimentos porquê o "Grito dos Excluídos", assim porquê os daqueles que defendem a reforma agrária (MST) e moradias populares (MTST), não fazem sentido e perdem militantes porque os excluídos foram incluídos na sociedade de consumo, ganharam lotes e casas (assentamentos rurais, Minha Casa, Minha Vida), mas sabemos que a veras não é muito assim.
Hoje, o problema é outro, e muito grave: com os empregos perdidos ou ameaçados, porquê remunerar as prestações das casas, dos carros, das viagens, dos eletroeletrônicos em universal e ainda as contas de luz cada vez altas? Cai o consumo, cai a produção, caem o serviço e a renda, cai a arrecadação, cai o PIB. Para quem antes não tinha chuva, luz, televisão, moradia e outras benfeitorias, é muito difícil perder o que conquistou nos últimos anos do que para aqueles que já tinham tudo.
S grande dilema dos militantes e dos movimentos sociais ligados ao PT é porquê conciliar a resguardo dos governos petistas e, ao mesmo tempo, criticar a sua atual política econômica. Não dá para ser em prol e contra ao mesmo tempo. P nascente exposição esquizofrênico que está na raiz da debandada que o partido enfrenta neste momento e se agrava à medida em que se aproximam as próximas eleições municipais. Quem agora vai querer se coligar ao PT que, nos seus bons tempos, arrostava alianças?
Ao se tornar um partido meramente eleitoral, transformando lideranças populares e sindicais em funcionários públicos, o PT foi perdendo as bases populares, que constituíam a sua grande força. A vida real mostra que o "tropa do Stédile", que Lula ameaçava convocar para enfrentar os adversários, simplesmente não existe .
E vida que segue.
Fonte: Ricardo Kotscho
