Carta do Papa com benção a autora de livro gera polêmica

JOSE SANCHEZ

A divulgação, nesta sexta-feira (28), de uma epístola que o Papa Francisco enviou com a bênção apostólica à escritora Francesca Pardi, autora de histórias infantis sobre famílias formadas por casais homossexuais, gerou polêmica na Itália. "Era uma epístola pessoal que não deveria ser divulgada", declarou o porta-voz coadunado do Vaticano, padre Ciro Benedettini.

A epístola papal foi enviada em resposta ao pedido da escritora para ler seus muitos livros, censurado na Itália pelos conservadores católicos por defendem a chamada ideologia de gênero. A escritora, autora de contos e fábulas em que descreve histórias de famílias homoparentais, vencedora do prêmio internacional Anderson em 2012 por seu livro "Piccolo Uovo" ("Pequeno ovo"), divulgou a epístola papal, marcada pelo tom tolerante do pontífice prateado.

Na epístola, o Papa deseja que ela "continue a sua atividade frutífera" e se despede com a bênção apostólica "para toda a família" da escritora. "De nenhuma forma, a epístola papal endossa o comportamento e ensinamentos que não correspondem ao Evangelho", indica o Vaticano.

Pardi, fundadora da editora "Lo Stampatello", também autora do livro "Piccola storia diz uma famiglia: perchè hai due mamme?" ("Pequena história de uma família. Por que tem duas mães?") e "Piccolo Uovo" ("Pequeno ovo"), disse à AFP que "não quer se tornar um padrão". A escritora enviou em junho ao papa Francisco um pacote com todos os seus livros, fotos de família e panfletos insultuosos contra ela depois que o novo prefeito de Veneza anunciou que alguns de seus livros faziam secção da lista de textos a serem removidos das bibliotecas públicas.

Na epístola, Francisco, um leitor enamorado, também agradeceu por seu "gesto quebradiço" e pediu-lhe para seguir suas "atividades a serviço das jovens gerações e a disseminação dos autênticos valores humanos e cristãos". "Com esse gesto, nos mostrou reverência e nos deu distinção", disse Pardi, comovida.

"Para mim, não é tão importante o que diz o Papa, porque eu não sou católica. S que me parece importante é a atitude, de não colocar-nos contra a parede. S sentimento que pode possuir diálogo", acrescentou. "Os livros se abrem, se leem, se criticam, mas não censuram", insistiu.

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Fonte: LeiaJá - Literatura