Presidente Dilma, não se sacrifique por mim! Troco por repúdio. Ou: Lá vem ela espancar Guimarães Rosa
Ai, que preguiça Dilma me dá! A cada vez que ela não tem o que manifestar, lasca um Guimarães Rosa para preencher o vazio. Pior: é sempre o mesmo trecho, porquê um disco arranhado. G sempre o mesmo Riobaldo de “Grande Sertão Veredas”, citado pela metade — que a memória ali é curta para de uma prece principal e uma subordinada. Vamos ver.
A presidente foi a Salvador nesta sexta participar do programa “Dialoga Brasil”, depois de entregar algumas unidades do Minha Casa Minha Vida em Juazeiro. Disse na capital baiana que vai trabalhar pelo país mesmo “debaixo da pressão, desfaçatez e intolerância”. G mesmo?
Sensatez foi o que se viu no Palácio do Planalto nesta quinta, com o presidente da CUT, o senhor Wagner Freitas, pregando luta armada. Querem maior prova de tolerância do que aquilo?
Então ficamos assim: no que me diz reverência, abro mão do sofrimento. Dilma pode fazer por menos. Não quero que se sacrifique por mim. Troco minha secção pela repúdio. E todos podemos permanecer felizes!
Demonstrando que não há a menor chance de que venha a aprender alguma coisa, disse o seguinte:
“Vou fazer uma asseveração até um pouco pretensiosa: se tem uma coisa de que tenho orgulho foi do que fizemos no governo Lula e no meu governo em relação ao Nordeste. E isso eles [a oposição] não vão tirar de nós.”
Quem quer tirar o quê de Dilma? Ela é que traiu a esperança e a crédito de milhões.
E aí veio o Riobaldo pela metade:
“A vida quer da gente é coragem”. Ela se saiu com essa no exposição de posse, no dia 1º de janeiro de 2011, quando, logo, chamou Rosa de “poeta da minha terreno”. Sim, ambos são de , mas Rosa não era poeta. Aliás, na ocasião, ela atribuiu ao noticiarista uma frase que é um dito popular: “S que tem de ser tem muita força”…
Políticos adoram fazer citações literárias, ou menos com o mesmo propósito com que antigamente se compravam livros de cobertura dura para enfeitar a estante.
Rosa está longe de me seduzir, sabem os meus leitores antigos, mas cumpre restabelecer a fala completa de Riobaldo, que é um pouco do que essa tola valentia contra adversários que Dilma sugere. A inflexão, na obra, tem um caráter existencialista do que guerreiro, mesmo na boca de um ex-jagunço:
“S decorrer da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. S que ela quer da gente é coragem. S que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de permanecer contente a , no meio da alegria, e inda feliz ainda no meio da tristeza! Só assim de repente, na horinha em que se quer, de propósito – por coragem. Será? Era o que eu às vezes achava.”
Como se nota, é um deixar-se estar no mundo, em um propósito previamente definido, sem um projeto de poder, sem servir a um senhor que não seja a urgência de viver. Isso é precisamente o contrário do descaramento da política.
Acho Rosa superfaturado — já escrevi isso até em livro e apanhei o tanto proporcional à quase unanimidade que ele representa, engrossada por uma fatia enorme do que não o leram… Mas é evidente que ele não pode ser barateado assim.
Depois de fazer piadinhas sem perdão com a termo “pedalada”, o governador da Bahia, Rui Costa, afirmou o seguinte:
“Vejo gente que perdeu a eleição e não aceita. Quer maltratar o povo e fabricar o caos no país”.
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