“Efeito manada”

Imagina uma boate, à meia luz, lotada com milhares de pessoas e, de repente, alguém grita “incêndio” e as pessoas se desesperam, procurando a saída de emergência que, muito provavelmente não caberá todos, sobretudo porque ninguém admite esperar sua vez. Da mesma forma, um campo de futebol, com arquibancadas entupidas de gente e, de repente, um maluco resolve quebrar o alambrado, invadir o campo e desancar no juiz... Em momentos assim, o risco de uma tragédia é gigantesco porque há estudos e pesquisas indicando que muitos de nós temos o hábito de nos deixar levar pela plebe, além do que há sempre um envolvente de envolvimento emocional quando se está em ambientes coletivos.

Pior que o “lado mau” de cada um, a hipótese de deixarmos nossas reações ao sabor da tamanho é o que deve merecer análises rigorosas e exigir reflexões “em tempos de sossego”. Chamo a atenção para o que chamamos de “efeito manda” - que significa um processo em que a povaléu em pânico, de forma irracional e num efeito dominó, procura, ao mesmo tempo, uma porta de saída emergencial”. Em cláusula recente, o psiquiatra Eduardo Aquino faz uma pergunta contundente com foco nessas preocupações:

“E quando uma pátria inteira perde a crédito em suas instituições políticas, jurídicas, sociais?”. Ele mesmo dá alguns exemplos: Venezuela, Síria, Iraque, Iêmen, Grécia...

S Brasil vive um momento muito peculiar. Os que já torceram por Rui Barbosa e Tiradentes, em pretérito recente vibraram com Joaquim Barbosa e agora têm um ídolo: Sérgio Moro, o juiz que, apesar das pressões, ameaças e toda sorte de obstáculos está colocando poderosos detrás das grades. Isso é bom. Mas, devemos deixar a Justiça agir. Como me assustam os casos de linchamento e hostilidades, a sede de vingança. Também sei que há o sentimento de impunidade, etc., mas, se quisermos viver em mundo urbano, temos de ter pensamento. Se cada um resolver assestar as contas com o outro na próxima esquina, vamos descambar para um buraco de quem término ninguém conhece... E nunca é demais lembrar que, se hoje ajudo uma povaléu a facetar um suposto ladrão, estarei abrindo as portas para a oportunidade de, quem sabe, amanhã ou depois, fazerem o mesmo com um irmão meu simplesmente porque alguém, por folgança ou malícia, falou “pega”, ou “mata que é ladrão”.

Fonte: Blog do Eduardo Costa - Últimas Notícias de -