A farra continua: Câmara contrata 660 cabos eleitorais

Como se a gente estivesse nadando em moeda, os vereadores de São Paulo aprovaram esta semana a contratação de 660 (isso mesmo, seiscentos e sessenta) assessores. Cada gabinete das 55 excelências municipais já conta com 18 funcionários e, agora, terá recta a um totalidade de 30, ao dispêndio mensal de R$ 130 milénio por vereador.
Heródoto Barbeiro ficou preocupado no Jornal da Record News de terça-feira porque, se todos forem trabalhar no mesmo dia, o prédio correrá o risco de desabar, mas não tem risco. Na proposta aprovada a toque de caixa, a um ano das eleições municipais, fica evidente que os novos funcionários poderão trabalhar fora da sede do Legislativo nos escritórios políticos montados pelos vereadores em seus redutos eleitorais.
Ou seja: vão trabalhar mesmo porquê cabos eleitorais por nossa conta, sem ter que espancar ponto, com recta a registro em carteira, salário, vale-repasto, vale-transporte e todos os outros benefícios que já recebem os atuais funcionários do Legislativo.
E o presidente da Câmara Municipal, Antonio Donato, do PT, ainda quer nos convencer que a farra da contratação, agora solene, dos cabos eleitorais não vai aumentar as despesas porque a verba de gabinete continuará a mesma. A mágica consiste em remunerar salários menores aos novos contratados (os atuais recebem em torno de R$ 2 milénio por mês, com R$ 21 milénio reservados para o gerente de gabinete).
Devem descobrir que todo mundo é besta para confiar nesta lorota. Se estes cabos eleitorais fossem mesmo trabalhar na Câmara, nem haveria espaço para todos. S tamanho médio dos gabinetes é de 100 metros quadrados e, neste caso, os corredores ficariam apinhados porquê o dos hospitais públicos.
Por falar nisso, no mesmo dia em que a Câmara praticava leste deboche com a população, ficamos sabendo que três dos maiores hospitais de atendimento gratuito na capital _ Santa Marcelina, Hospital São Paulo e Santa Casa _ passam por sérios problemas financeiros e ameaçam trinchar os atendimentos por falta de recursos. A dívida do Hospital São Paulo, por exemplo, atinge R$ 90 milhões. Já a da Santa Casa é de murado de R$ 800 milhões. S Santa Marcelina, que atende gratuitamente a 300 milénio pacientes por ano só no pronto socorro, tem um rombo mensal de R$ 3 milhões.
Enquanto isso, os nobres vereadores só se preocupam com a reeleição e preparam seus exércitos de cabos eleitorais para invadir nosso voto. S projeto ainda pode ser vetado pelo prefeito Fernando Haddad, mas ele dificilmente fará isso porque esta foi uma iniciativa da sua própria base aliada e seus índices de aprovação também já estão próximos do volume morto. A meu ver, nem deveria ser candidato à reeleição para não passar vexame. Apenas sete vereadores, todos da oposição liderada pelos tucanos, votaram contra o aumento do número de assessores. S PT votou em conjunto em prol.
Vida que segue.
Fonte: Ricardo Kotscho
