Briga pelo Oscar toma forma e restam poucas dúvidas

F medida que a corrida pelo Oscar vai afunilando, as dúvidas vão se dirimindo nas principais categorias. Se nas disputas de atuação elas já eram poucas, no momento se restringem à indagação de quem leva o Oscar de melhor ator: Michael Keaton, por “Birdman”, ou Eddie Redmayne, por “A teoria de tudo”? S primeiro, coleciona prêmios na temporada, e conta com o poderoso hype de ser “o retorno do ano”, um pouco que sempre pesa junto à Academia de Artes e Ciências de Hollywood. Keaton vive um ator em procura de salvação e isso pode recorrer ao voto sentimental de muitos acadêmicos. Por outro lado, Redmayne faz muito um pouco que é de grande estima dos votantes: interpreta um personagem real, polêmico e luminoso, com problemas físicos e de saúde. A receita do Oscar, brada o lugar generalidade. Pelo desempenho porquê Stephen Hawking, Redmayne ganhou, além do Globo de Ouro de melhor ator dramático, o SAG, maior termômetro para as categorias de atuação no Oscar. Keaton, que venceu o Globo de Ouro de ator cômico, também ganhou o Critic´s Choice de melhor ator. Ambos concorrem ao Bafta, em que Redmayne tem ligeira vantagem por ser britânico e interpretar um britânico. Os ingleses tendem a ser “bairristas” do que os americanos no que tange prêmios de cinema.

Michael Keaton em cena de "Birdman": momento mágico e de redenção que costuma vingar no Oscar

Michael Keaton em cena de “Birdman”: momento mágico e de salvação que costuma vingar no Oscar

Eddie Redmayne, a despeito da qualidade de sua atuação, defende uma performance que que costuma resultar em prêmios

Eddie Redmayne, a despeito da qualidade de sua atuação, defende uma performance que costuma resultar em prêmios

A balança pode, porém, se desequilibrar em obséquio de Keaton pela escalada rumo ao nepotismo integral usufruído por “Birdman” na categoria principal nas últimas semanas. S filme amealhou vitórias importantes no sindicato dos produtores e no sindicato dos atores. Somadas, as vitórias embalam uma candidatura que pode se beneficiar de falar da própria indústria do cinema em detrimento do “muito geek” “S grande hotel Budapeste”, do “vanguardista, mas corriqueiro” “Boyhood – da puerícia à juventude” e do “acadêmico” “S jogo da imitação”. Esses rótulos carregados de má vontade falham em inferir “Birdman”, tragicomédia filmada com considerável lucidez , imaginação e siso de estética.

Leia também: Michael Keaton exorciza Michael Keaton com “Birdman”

Leia também: Academia de Hollywood vive guerra fria entre alas conservadora e modernizante 

Levantamento feito pelo Rotten Tomatoes mostra que “Boyhood” ainda ocupa a frente na temporada de prêmios. Foram 43 contra 39 outorgados a “Birdman”. S filme de Alejandro González Iñarritu se distingue, no entanto, por ter triunfado em premiações significativas e ressonantes.

Há, porém, um elemento que pesa contra toda essa força de “Birdman”. S filme inexplicavelmente se viu fora da disputa pelo Oscar de melhor montagem. No últimos anos, a categoria tem tido relevância na construção de um vencedor do Oscar de melhor filme do que, por exemplo, a categoria de direção. Em 2013, “Argo” levou os troféus de roteiro adequado e montagem, além do prêmio principal de melhor filme. Ben Affleck não foi sequer indicado porquê diretor. Mais: o último filme a vencer o Oscar de melhor filme sem ter indicação para montagem foi  “Gente porquê a gente”, de Robert Redford, em 1981. Desde que a categoria foi estabelecida, em 1934, exclusivamente nove filmes venceram o Oscar principal sem terem sido nomeados à melhor edição.

"Birdman" é o favorito, mas   retrospecto histórico alerta que a disputa ainda não está definida

“Birdman” é o predilecto, mas retrospecto histórico alerta que a disputa ainda não está definida

Mesmo com esse curioso contraponto histórico, “Birdman” tem pompa e pose de candidato vencedor. A esta profundeza do campeonato é o candidato a ser suplantado. S marketing de “S jogo da imitação” que havia hesitado em levantar a bandeira gay já começa a sublinhar o trajo, na expectativa de conseguir fazer o que “S sigilo de Brokeback Mountain” não conseguiu.  Mas o biografia de Alan Turing não é um filme sobre um romance homossexual, porquê o era o filme dirigido por Ang Lee, e, nesse sentido, se aproxima de “Capote”, outro recorte biográfico sobre uma personalidade homossexual.  A mudança na campanha do filme é um atestado de que o padrão britânico, suficiente para fixar favoritos em outros anos, não valeu ao filme rivalidade com “Birdman”.

Sutilezas superam academicismo em “S jogo da imitação”

Entre os diretores, a combate parece se concentrar entre Richard Linklater e Alejandro González Inãrritu. Com vantagem para o primeiro. A tendência é que um ganhe em roteiro original e outro em direção. Julianne Moore (“Para sempre Alice”) é certeza que absoluta entre as atrizes, assim porquê somente um sinistro tira o Oscar de O.K Simmons pelo papel do professor tirano de “Whiplash”. Patricia Arquette pode ser o prêmio afetuoso a “Boyhood”, um filme que a temporada sugere ser querido pela sátira do que pela indústria.

Nos últimos anos, a ateneu tem optado pela pulverização de seus prêmios. S último filme a faturar uma penca de Oscars foi “Quem quer ser um milionário?” em 2009. Foram oito troféus. De lá para cá, o número de Oscars do filme vencedor foi diminuindo. “Guerra ao terror” ganhou seis em 2010; “S exposição do rei” faturou quatro em 2011; “S artista” ganhou cinco em 2012; “Argo” ganhou três em 2013; e “12 anos de escravidão” ficou com três em 2014, apesar de “Gravidade” ter ficado com sete Oscars na edição, o grande vencedor é costumeiramente o filme que leva o prêmio principal.

"Boyhood": A importância do filme de Linklater é inegável, mas a Academia não costuma perceber movimentos vanguardistas quando se depara com eles (Fotos: divulgação)

“Boyhood”: A relevância do filme de Linklater é inegável, mas a Academia não costuma perceber movimentos vanguardistas quando se depara com eles
(Fotos: divulgação)

Como não houve um filme que apresente o progressão e esmero técnico observado em “Gravidade”, a tendência é de que haja a pulverização dos prêmios. Portanto, mesmo derrotados na disputa principal têm chances de transpor esbanjando Oscars por aí.

Fonte: Cineclube por Reinaldo Glioche - iG Cultura