Roberto Bolaños conseguiu ser cada um de nós

roberto bolanos Roberto Bolaños conseguiu ser cada um de nós

Eterno Chaves, Roberto Bolaños sintetizou o que somos - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Seus tipos universais, eram, sobretudo, latinos — e também tão brasileiros. Com aqueles moradores da pobre vila que ele transformou num dos maiores sucessos televisivos de todos os tempos nos identificamos. Sorrimos juntos de nossa desgraça.

Roberto Bolaños, o criador de Chaves e Chapolin, que nos deixou nesta sexta (28), nos convidou para a festa pobre. Seus heróis não eram opulentos, nem bem alimentados. Tanto Chaves quanto Chapolin eram subnutridos, eram o que dava para ser neste canto do mundo onde aprendemos desde pequenos o que significa a palavra subdesenvolvimento.

Talvez por ter conseguido cristalizar a essência do que somos ele foi e é tão amado. Seus personagens somos nós, tão ridículos e tão patéticos, mas ainda assim tão cheios de carisma, de vida, de graça.

Somos a Chiquinha pobre que quer tirar vantagem em tudo, tal qual seu pai, Seu Madruga, que toma um tapa na cara da vida diariamente. Somos Dona Florinda com sua soberba de se sentir melhor do que os outros, não aceitando sua realidade tão cruel quanto a dos demais. Somos Quico e Nhonho, pobres meninos ricos em terra pobre, que percebem que a imaginação é muito interessante do que os brinquedos que o dinheiro pode comprar.

Somos o Seu Barriga, que ao cobrar o aluguel acaba se condoendo de seus inquilinos, sabedor de que, no fundo, é injusto ele ter tanto onde tantos têm nada. Somos Dona Clotilde, solteirona e ainda esperançosa de um dia apenas ser amada, nem que seja apenas em suas ilusões.

E somos, sobretudo, Chaves, menino pobre morador de um barril, cujo maior sonho é comer um sanduíche de presunto. E isso diz tudo de forma dilacerante. Somos também Chapolin Colorado, herói do terceiro mundo, tão anti-herói, vermelho, idealista e desastrado, tão capenga, mas que, com jeitinho e ajuda divina, consegue ao fim resolver os dilemas que surgem.

É por isso que hoje a gente chora, triste, baixinho, como quem perde alguém muito próximo. Porque perdemos alguém que, de forma genial, conseguiu ser nós mesmos. Roberto Bolaños deixa uma saudade imensa.

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Fonte: R7 Cultura