Veja a ntegra da entrevista de Nilmrio Miranda, candidato Prefeitura de BH, aos Dirios Associados – Politica

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Nilmrio Miranda, candidato do PT Prefeitura de Belo Horizonte (foto: Tulio Santos/EM/D.A Press)
Uma cidade mais jubiloso, com menos desigualdade social e livre do neofascismo. o que projeta Nilmrio Miranda (PT), terceiro candidato Prefeitura de Belo Horizonte nas Eleies 2020 entrevistado pelos Dirios Associados (Estado de Minas, TV Alterosa e Portal Uai).O petista falou sobre seus principais projetos de governo, porquê uma renda mnima municipal, com a qual pretende complementar o Bolsa Famlia de, aproximadamente, 300 milénio belo-horizontinos.
Jornalista, nascido em Belo Horizonte em 11 de agosto de 1947, Nilmrio casado com Stael Miranda, sociloga e professora da Universidade Federalista de Minas Gerais, e tem trs filhos: Renata, Fernanda e Vitor.


Se apresenta porquê candidato que luta “pela democracia sempre” e “em resguardo dos Direitos Humanos, do povo Preto, LGBTs, Mulheres, Assistncia Social e Cultura”.

Ele foi deputado federalista e estadual e secretrio de Direitos Humanos no governo do ex-presidente Lus Incio Lula da Silva (PT). Nilmrio concorreu ao governo de Minas Gerais em 2002 e 2006, sendo derrotado por Acio Neves em ambas as oportunidades.


Veja aquém a ntegra da entrevista do candidato Nilmrio Miranda.

EM: Qual ser a sua primeira medida se for eleito prefeito de Belo Horizonte?

Acredito que sero os piores anos do sculo. Viemos de uma crise econmica, social e poltica, que com a pandemia se agravou. Vamos fazer uma espcie de economia de guerra, porquê foi ps 1930, quando surgiu o keynesianismo, e ps Segunda Guerra Mundial. quase uma situao de emergncia, para poder socorrer as pessoas. Tem mais pessoas desempregadas do que empregadas hoje no Brasil. Houve perda de renda. A queda de R$600 para R$300 perversa; R$10 por dia no d nem para um prato feito. Porquê o povo vai viver desse jeito? Vamos ter que gerar mecanismos para as pessoas viverem. Por isso falei em economia de guerra. Eu que sou pacifista, antibelicista. Precisa de um esquema tipo keynesiano, de pequenas obras, economia popular e solidria. Penso em uma renda mnima municipal para completar o Bolsa Famlia, paga com moeda social – s vale em Belo Horizonte. E um banco social. Tem vrios casos no Brasil e ns vamos impor cá. Gerar empregos tambm. Por exemplo, trocador. Tiraram os trocadores no sei pra qu. S agravou a situao dos motoristas, causou desemprego e aumentou a passagem mesmo assim. Ficou pssimo. A unanimidade contra. Voltar a ter escola de tempo integral recontratar pessoas na Sade, na Assistncia Social. Os prprios empregos virem do socorro populao.


EM:As medidas que o senhor citou seriam implementadas em determinadas regies da cidade, para segmentos que precisam de mais ateno, ou de uma forma mais universal?

A renda municipal para atingir pouco mais de 300 milénio pessoas. So as do Cadastro nico, mais alguns que ficaram com renda zero. Quem tiver criana de zero a seis anos, acrescenta R$50. Ningum permanecer com menos de um quarto de salrio mnimo em cada famlia. Vamos quase geminar o Bolsa Famlia per capita, com moeda social. S vale cá em Belo Horizonte. No vale em Santa Luzia, nem em Novidade Lima. A pessoa s pode comprar cá. Isso visa, tambm, restabelecer as atividades econmicas locais.

Tenho uma proposta de fazer por regionais. BH so nove grandes cidades. Se fossem cidades separadas, teramos nove cidades com dois turnos. Felizmente, uma cidade s. Regionalizar de novo. Foi um erro grave do Kalil ter completado com as regionais. Entre Barroca e Venda Novidade olha a distncia que tem! Obrigar as pessoas a se mudar de todas as regionais para o BH Resolve, para qu? Engarrafamentos gigantescos, hipercentro tudo hiper cá. A cidade que eu chamo do ‘muito viver’ descentraliza, tem muitos centros. Vamos fazer isso que estamos falando em cada regional. Isso vale para transporte, ciclovias, educao, sade, cultura. Para todas virarem agencia de desenvolvimento regional. 

EM: Alm dessa questo das regionais, o que voc mais criticaria no governo do prefeito Alexandre Kalil? E qual seria, na sua avaliao, um acerto da atual administrao?

Ele (Kalil) foi muito na pandemia. Isso obvio. Eu era presidente do Juízo Estadual de Direitos Humanos, representando o Sindicato dos Jornalistas e fizemos uma nota de escora a ele quando ele enfrentou o Bolsonaro. Com Bolsonaro desorganizando o enfrentamento da pandemia, ns apoiamos o prefeito. No o partido, o prefeito da cidade. Quando ele tomou posse, disse ‘no vou fazer zero, s vou tocar o que existe’. Isso timo para ns. Porque ns (PT) governamos a cidade por 16 anos, com quatro bons governos. Deixamos uma estrutura de governana slida. BH funciona mesmo com prefeitos que no fazem zero. H mobilidade, tem projecto diretor para isso e aquilo. A Sade tem 15% h mais de duas dcadas. A Educao tem 30% h mais de duas dcadas. A folha ocupa, no mximo, 35%, incluindo inativos. A cidade tem R$3 bilhes para investir por ano. A cidade funciona. Ento no difcil comandar Belo Horizonte. Agora, isso suficiente? No. Tem 300 milénio pessoas em Belo Horizonte, que a minha vice Luana de Souza labareda de invisveis. As polticas no as abrangem. Nem de sade, educao, incluso do dedo... Zero. A pandemia revelou essa profunda desigualdade na cidade. Sou um patrono histrico dos direitos humanos e, no meu entendimento, essa a tarefa principal. O prefeito no tem esse projeto. Precisa tocar o que tem? evidente. Mas ns no fizemos nenhuma oposio injusta, pessoal ou agressiva. Quero chegar ao segundo vez de uma eleio com 15 candidatos, que no tem debate nem em televiso, nem em lugar nenhum. de televiso tem 1 minuto e 4 segundos. No d nem pra expor recta a proposta. Quero chegar ao segundo vez para debater o que melhor para BH. Vamos mostrar, ‘olha prefeito, voc acabou com a escola de tempo integral, isso era estratgico para combater a desigualdade. Congelou as creches, isso era estratgico para BH. O transporte, voc falou que ia fazer isso e aquilo, e ficou pior no final do seu governo’. Vamos ter que resgatar isso e ir mostrando as debilidades, qual o melhor projeto para BH em todas as reas. Zero dessa selvageria, desse dio que quiseram implantar em nossa cidade. uma cidade que nunca teve esse dio e espero que nunca mais tenha.

EM: O senhor falou em 300 milénio invisveis em Belo Horizonte. Entre eles, obviamente, esto os moradores de rua. Porquê pretende resolver esse problema, se for eleito?

Em primeiro lugar, outra crtica a ele (Kalil). Ele falou que se tratar muito demais, der muito conforto – ele usou essa expresso – vai atrair mais. Isso para mim uma negao dos direitos humanos, honra de cada ser humano. O que ‘conforto’? Fazer com que eles tomem caf da manh, almocem e jantem todos os dias? Tenham um lugar de se lavar, para dormir? Quando precisar, tem duas milénio pessoas que podem ser acolhidas. Mas existem dez milénio (moradores de rua na capital). Isso um recorde histrico! O que temos que fazer? Ns temos 70 milénio imveis no ocupados em Belo Horizonte. fazer aluguel social, autoconstruo. Esse término de semana eu visitei dezenas de conjuntos de autogesto feita pela prefeitura. As ultimas grandes intervenes em BH, feitas nos aglomerados, fomos ns que fizemos. Vila Viva, urbanizao da Favela da Serra, Morro das Pedras, Barragem Santa Lcia. Ns fizemos isso e no foi feito mais zero. Restabelecer isso. evidente que no se governa olhando para trs. Tem que projetar a partir dos novos desafios. Mas certamente est a. Voltar com o Oramento Participativo, a democracia participativa, a ter regionais fortes, enfrentar os moradores de rua porquê deve ser o problema, que envolve habitao, assistncia, guarida, para os que so LGBT expulsos de morada. Tem um projeto genial feito pelo Haddad que se labareda Transcidadania, que pegar as pessoas LGBT que moram nas ruas e capacit-los para ter outras coisas que no seja a prostituio, doenas, violncia, morte. H pessoas que tm sofrimento mental e temos que trata-las com os Centros de Ateno Psicossocial (CAPS).
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Nilmrio Miranda compareceu aos estdios da TV Alterosa para a entrevista (foto: Tulio Santos/EM/D.A Press)

EM: Se eleito, porquê ser a sua relao com os governos Romeu Zema e Jair Bolsonaro?

A mesma que ns tivemos. Eu fui ministro do governo Lula. Tivemos quatro governos, 16 anos, e nunca discriminamos uma cidade por ser do partido A, B ou C. Quando se discrimina uma cidade, se prejudica o povo. O Zema vai ser contra quem votou nele? Vai perseguir porque um prefeito do PT e contra as privatizaes que ele quer fazer, que achamos totalmente absurdas? No. Tem que possuir uma relao republicana. O que tiver que investir, tem que investir. Assim porquê o Governo Federalista. Felizmente, para muitas polticas pblicas, existe o pacto federativo, que diz que a Unio deve entrar com isso e aquilo. Se ele se recusar, voc judicializa e a cidade ganha. Teremos uma relao republicana normal para tratar os governos. Uma coisa oposio poltica, que meu partido faz de forma vigorosa ao governo Bolsonaro, que a gente labareda de neofacista, de rompimento com a democracia, com a soberania pátrio, antipopular. Agora, porquê prefeito, meu papel no esse. Isso meu partido quem faz, na Cmara Municipal, na Reunião, Cmara dos Deputados e no Senado. O prefeito governa para todos. Mesmo quem no votou nele e at quem no gosta dele. 

EM: Seu projecto de governo fala em fomentar os pequenos empresrios, que sofreram bastante nessa pandemia, junto com outros segmentos. Porquê o senhor pretende restabelecer a economia da cidade?

Por exemplo, usar o potencial do oramento da Prefeitura em contrataes de outra maneira, privilegiando pequenas e mdias empresas. Em vez de grandes empresas e empresrios amigos. Zero disso. Onde mais gera serviço no Brasil na pequena e micro. Esse esquema tambm de fortalecer o mercado interno com a renda municipal, atingindo mais de 300 milénio pessoas, bom para a economia, um poderoso vetor econmico. A moeda social s vale para Belo Horizonte, logo fortalece pequenas e microempresas. Em todas as reas, servios e comrcio. Acho que no tem muito sigilo.

EM: Em razo da pandemia no tivemos aulas e as crianas de baixa renda, que no tm entrada internet, ficaram muito prejudicadas. Se eleito, porquê restabelecer esse tempo perdido?

No caso da pr-escolar, que prioridade, as creches esto paradas no tempo. Esto do mesmo tamanho de quando comeou o governo do Kalil. bvio que no atendem. uma maneira de gerar ocupação tambm expandindo as creches. O ensino infantil fundamental. Estavam implantando, j estava na metade dos alunos com escola em tempo integral. O aluno chega de manh, sai tarde, com almoo de boa qualidade, tem comitiva para restabelecer esse tempo perdido que voc falou. Ter uma preparao para isso. E ele acabou com escola em tempo integral. Agora so s quatro horas e meia. Porquê faz uma mulher que sai de lar 5h da manh e volta 19h? porquê que faz? Vai deixar os filhos onde? So as que mais precisam de ensino em tempo integral. As crianas serem muito cuidadas fundamental para a luta contra a desigualdade social. No caso da excluso do dedo, temos um projeto de levar fibrilha tica para todas as escolas municipais. De modo a atender tambm uma vertente que a cidade inteligente. Tnhamos aquele projeto da (Parque Tecnolgico de Belo Horizonte) BHTec, das startups cá, da UFMG, uma fantstica universidade e da Prodabel (Empresa de Informtica e Informao de Belo Horizonte) de levar fibrilha tica para as favelas, subir morros. Porque o mercado no sobe. Tem que ser o poder pblico. O mercado procura o lucro, normal, o capitalismo funciona assim. No sobe o morro porque l no tem lucro. O poder publico tem que levar incluso do dedo via escolas tambm. Tem um dficit crnico de programadores, ento tem que comear desde os sete anos de idade a preparar as pessoas para o horizonte. Tem um socorro emergencial e tem que preparar para as vocaes de BH para o horizonte.

EM: Sobre esse ‘programa socioeconmico emergencial’, seu projecto de governo fala que usar recursos das renncias de receita do Municpio, em torno de R$60 milhes. Quais so essas receitas e porquê o senhor pretende operacionalizar seu uso?

Tem muita iseno que no gera ocupação, que foi feita numa suposio que no se confirmou. BH tem a segunda passagem mais face do pas. No entanto, o usurio paga pela gratuidade dos policiais militares, que justa. A PM deve ter gratuidade sim, mas quem deve remunerar o estado, no o usurio. A gratuidade dos estudantes deveria transpor da verba da educao. Tem moeda pra isso. Os deficientes e idosos devem ter gratuidade. Eu que sou dos direitos humanos sempre fui favorvel. Mas quem deve remunerar a Assistncia Social, que tem recursos para isso, no o usurio. Reduzir subsdios para gerar mais trabalho. No caso especfico da passagem, reduzir o preo, voltar a ter trocador. De um oramento de R$13 bilhes, vamos usar 4%, R$110 milhes por ms. No uma coisa extraordinria? Para um impacto econmico, social e de cidadania que vai ter muito poderoso. 

EM: As ltimas pesquisas eleitorais colocam o segundo disposto com 7% das intenes de voto e o senhor com 2,5%. No caso do PT, que j governou a cidade, porquê explicar esse desempenho to plebeu? E o indumento do PSOL, que tambm de esquerda estar frente do PT?

Se levarmos em conta a pesquisa que o Estado de Minas publicou no domingo, do Instituto Paran, eu teria 2,5%. A companheira do PSOL 4% e o outro 7%. Quase um empate tcnico. Na verdade, s tem um candidato at hoje. labareda-se Kalil. Porque o povo no sabe, no se envolveu. No houve campanha, no houve porquê chegar. S o prefeito tinha mdia inteiro nesses meses. Os petistas no sabem que eu sou candidato ainda. Esto comeando a saber. A eleio vai ser decidida nesses ltimos dias. Vamos ter muitas surpresas boas a.
Durante a entrevista de Nilm
Durante a entrevista de Nilmrio Miranda e demais candidatos, foram observados protocolos de segurana, porquê distanciamento e uso de mscara (foto: Tulio Santos/EM/D.A Press)

EM: Projetando um eventual segundo vez em que o senhor no esteja, quem pensa em concordar e quem no apoiaria de forma alguma?

Acho que posso estar. No est escrito em lugar nenhum que eu no posso estar. Na eleio passada, no pior momento da histria do PT, o companheiro Reginaldo Lopes, que muito denodadamente enfrentou aquela eleio, tinha 1,5% a 20 dias da eleio. Nas pesquisas publicadas eu tenho entre 2% e 2,5%. Ento est igual estava naquele perodo. Isso a pandemia que explica. E as regras eleitorais perversas. A reforma foi para pior. Reduziu de campanha para 42 dias. Eram 90. Reduziu de televiso e cancelou os debates. Debate com 15 candidatos muito difcil. As emissoras, apesar de serem concesses pblicas, deveriam fazer o debate, com sorteios de grupos separados. Eleies sem debate o que vai valer? O candidato mais rico, que tem 10% do imposto do ano pretérito. O meu 0. Do outro pode ser R$5 milhes. Vai continuar prevalecendo a riqueza? isso? Eleio um confronto de projetos para a cidade. Quero chegar ao segundo vez para l sim fazer o debate sobre a cidade. Temos um corpo tcnico admirvel, dos quatro governos do PT cá, que conhece a cidade a fundo. Muitos participaram do Governo Estadual e Federalista. Temos diagnsticos perfeitos sobre tudo na cidade. E projetos timos. Tenho 1 minuto e 4 segundos (de televiso). No d tempo de expor os projetos. Quero chegar ao segundo vez para mostrar o que melhor para a cidade. Por exemplo, no caso da economia. A economia criativa em Belo Horizonte fundamental. Teve um prefeito que quis proibir o carnaval, praticamente, na Praa da Estao, debaixo dos viadutos, e gerou uma desobedincia social. Foi um dos melhores carnaval do Brasil, de blocos. A economia criativa dos blocos, da paragem LGBT, dos festivais de teatro. uma economia enorme para Belo Horizonte, para ser descentralizada, distribuda pela cidade. uma manadeira de tarefa e renda importantssima na economia ps pandemia. BH uma cidade muito contente e rebelde. A histria do carnaval daqui uma histria de rebeldia. Para comemorar a alegria, fez-se a rebeldia.

EM: O PT j teve a maior bancada na Cmara Municipal e veio declinando o nmero de vereadores eleitos. Porquê vocs esto projetando desta vez o desempenho para o Legislativo nestas eleies?

Na ltima eleio, elegemos dois do PT e um do PCdoB. Nessa eleio que foi uma resistncia, porque foi um massacre. Aquelas delaes arranjadas do Palocci (de ministro da Quinta no governo Lula e da Morada Social no governo Dilma), por exemplo, para derrotar o Haddad tiveram efeito sobre o PT no Brasil inteiro. Fizemos dois vereadores do PT, mesmo nmero que tnhamos em 1982, mas sempre tivemos uma mdia de seis. s vezes um pouco mais que isso, mas com coligaes com PCdoB, PSB... possvel chegar, com os votos dos eleitores que se declaram petistas, nos prximos dias, provocar um segundo vez e optar uma boa bancada, chegando o mais prximo possvel da mdia. Com certeza sero mais de dois. h companheiros especialistas nisso que acham que podemos ter seis, outros, cinco. Vamos buscar ter o mximo. E tambm temos o voto de legenda. Vou trabalhar isso nos prximos dias, o 13. A campanha de BH me levou a admitir a candidatura cá. No tinha o projeto de ser candidato. Uma das razes foi que (a campanha da capital) atinge umas centena cidades. Ento o 13 vai para essas centena cidades e ajuda o PT numa secção enorme do estado tambm, principalmente na regio metropolitana. Vamos chegar a um bom resultado e esperamos tambm que os partidos de esquerda elejam. Porque essa a pior Cmara ps-ditadura que j tivemos. Aprovou ‘Escola Sem Partido’, uma coisa j condenada pelo STF, inconstitucional. Estimula o preconceito religioso e de gnero, probe discutir a variedade que caracteriza o Brasil. Um Estado multitnico, multirracial e multicultural. Que Cmara essa? Esperamos que as bancadas progressistas sejam fortes. E que se tem que ter direitos, que sejam direitos civilizados. No que defendam a barbrie, neofascista, contra a democracia, contra o estado leigo. Que eleja um meio tambm. Sempre foi assim. Sempre houve em BH 30% que era contra o PT. Nos 40 anos de existncia do PT cá. Ns elegemos quatro prefeitos. No nos impediu. E fizeram timos governos para a cidade a cidade, governavam a Cmara muito, no perseguia ningum. Uma convivncia saudvel, pacfica. Disputa ideolgica, mas no desmoralizao de pessoas, ataques pessoais, campanhas de dio. Isso no Belo Horizonte.

EM: Porquê o senhor avalia a forma que a religio e o fundamentalismo religioso se colocam na poltica em Belo Horizonte?

H 129 anos atrs, ns aprovamos o Estado leigo, em que cada um pode escolher a religio que quiser ou nenhuma religio. Isso fundamental para a democracia. Fazer uma escola sem partido romper com o estado leigo, com a tradio democrtica, a melhor tradio do pas. A nica coisa derrotar isso, olvidar que isso existiu. Foi um pesadelo. A eleio de 2016 nos legou isso. A de 2018 trouxe quase o neofascismo. Ns vivemos o integralismo na dcada de 1930, que era um pouco isso, mas no era to invasivo. No falava em armas, morte. Nunca teve um presidente que contra vacinar as pessoas. A nica coisa que pode nos levar normalidade a vacinao, para a vida voltar ao normal, tudo voltar a sobrevir. Ele acha que no deve ter a vacinao massiva. Ningum falou em obrigatria. Voc universaliza a vacina. Ns criamos uma tradio na ditadura, em 1973, um programa pátrio de imunizao. Fomos um dos pases que mais avanou na erradicao de doenas evitveis. Agora vem um perverso e fala que no vai gastar moeda com vacina! Ah, o que isso, gente?! Isso um rompimento com as melhores tradies. Agora, um relâmpago no cai duas vezes no mesmo lugar, n? Ento no vai desabar de novo em Belo Horizonte. Cá, acho que o bolsonarismo est derrotado. Pesquisas nos do que uma fora muito menor do que foi. E tomara que tome lugar da direita quem no tem esse vis antidemocrtico, neofacista e de rompimento com o estado leigo.

EM: Por desculpa de escndalos de corrupo, fortaleceu-se o antipetismo e o bolsonarismo. O PT chegou a deixar de usar smbolos tradicionais, porquê a estrela e a cor vermelha. Isso voltou nesta campanha, inclusive com aparies do ex-presidente Lula pedindo votos para o senhor. O que essa retomada desse orgulho do petismo pode ter de impacto nesta campanha?

Em primeiro lugar, vamos falar de escndalos. Governamos essa cidade por 16 anos e sempre teve 30% contra. No tem zero a ver com escndalos. Escndalos pra mim foram forjados para evitar uma eleio democrtica. O smbolo foi aquele exposição do Acio Neves no Senado em 21 de novembro 2014, que chamou um golpe. O av dele (Tancredo Neves) foi a pessoa que mais combateu golpes no Brasil. E foi um conservador, uma pessoa admirvel. E logo o neto dele foi quem chamou um golpe, comeou a romper as regras da democracia. Antes disso, havia eleies normais. O Clio de Castro tem uma frase que eu nunca esquecerei: ‘Cá em Belo Horizonte assim, 30% direita. Se eu pintar as ruas de ouro, eles votam contra mim, porque eu sou da esquerda’. E verdade. Nunca tivemos o voto de todos, mesmo com excelentes administraes. Isso faz secção da histria de BH, de Minas do pas. Um pas que teve mais de trs sculos de escravido, que as mulheres foram votar pela primeira vez na dcada de 30, que analfabetos passaram a votar a partir de 1988. Evidente que tem uma direita poderoso neste pas! Uma direita que tem saudade da moradia grande, que racista, homofbica, machista, patriarcalista. Mesmo quando no professa o dio. Aquele dio hostil, destrutivo, ela isso. Um dos pases que mais mata mulheres no mundo! Que mais tem estupro de crianas dentro de morada. Que mais tem racismo institucionalizado. Esse o Brasil. Agora, o ponto fora da curva o neofascismo. Precisamos nos livrar dele e voltar a ter um pas democrtico. Com revezamento no poder. Que ganhe a direita, que ganhe a esquerda, mas que aceite o resultado. No faa porquê o Acio fez.

EM: Gostaramos que o senhor deixasse uma mensagem aos eleitores.

Belo Horizonte uma cidade muito jubiloso, boa de se viver. Tem uma cultura espetacular, uma histria cultural que poucas cidades conseguiram em to pouco tempo. Na literatura, no teatro, na dana, na msica, na arquitetura. Uma cidade espetacular. Vamos restabelecer essa cidade. Essa BH que ns gostamos tanto. Alis, o Estado de Minas publicou uma matria no domingo, perguntando aos candidatos o que eles mais gostam em BH. Muito interessante. BH um pouco aquilo, as perguntas que esto ali. Isso que ns queremos. Queremos nossa BH de volta.


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