Na semana passada, muitos leitores repercutiram nas redes sociais, na maior parte das vezes em tom de gozação, um dos subtítulos de uma reportagem do caderno “Cotidiano” da Folha.

O  título era este (veja o destaque):

mortos-vivos impresso

É evidente que os mortos não poderiam estar andando sobre a passarela. Quanto a isso, não há a menor dúvida.  O que se quer saber é como ou por que uma frase como essa é publicada sem que o redator perceba o problema.

Muito bem. Para os jornalistas, não é novidade que a tarefa de criar títulos para as reportagens não é nada fácil. O espaço delimitado e o tamanho das letras impõem a primeira dificuldade, daí ser comum ouvir entre os redatores que o “título bom é aquele que cabe” [no espaço]. Português Na Folha

É claro que não é só isso que torna a tarefa complicada. O leitor assíduo de jornais sabe que a reportagem tem um título principal, que deve informar sucintamente o fato relevante, um subtítulo (conhecido no jargão como “linha fina”) e ainda um destaque, o chamado “olho” ou “lupa”. Cada um desses subtítulos deve trazer uma informação que complete a principal, sem repetição nem quebra de palavra e em ordem hierárquica de importância. Vejamos um exemplo:

TÍTULOS E SUBTÍTULOS

No título principal, o fato noticioso: Campos usou a máquina [do governo] para divulgar assunto pessoal; no subtítulo (linha fina), a informação de que a reportagem foi removida do site oficial à tarde; no destaque (olho), a informação de que o governo de Pernambuco considerou equivocada a divulgação de assunto pessoal no site oficial.

Em suma, a leitura dos três títulos em sequência permite entender em linhas gerais o que houve. O texto trará as informações em detalhes.

Cada texto passa por esse processo e o redator procura concentrar o máximo de informações nos títulos, dando agilidade à leitura. Tudo isso, não raro, a toque de caixa, já que, feitos depois do ajuste do texto ao espaço da página, os títulos são a parte final da redação.  Há uma série de fatores que, embora não justifiquem, propiciam a ocorrência do erro.

Vejamos novamente o título equivocado, agora na versão on-line:

mortos-vivos on-line

 

 

 

 

 

 

 

Título principal: Caminhão derruba passarela e mata quatro pessoas no Rio

Linha fina: Caçamba do veículo, que trafegava em horário irregular, estava levantada

Olho: Dois mortos andavam pelo elevado de 120 t, que desabou sobre dois carros, onde estavam as outras duas vítimas

Atendo-nos ao texto do “olho”, como se produziu a oração “dois mortos andavam pelo elevado”? A intenção, naturalmente, era dizer que, das quatro vítimas  (título principal), duas morreram quando estavam caminhando sobre a passarela e duas morreram esmagadas, dentro de carros que passavam sob o elevado.

Na ânsia de fazer caber a informação, uma construção como os que morreram quando andavam sobre a passarela virou “os mortos andavam sobre a passarela”. Às vezes, depois de muitas tentativas de fazer um texto que se encaixe em todos os requisitos, o redator nem percebe que falhou no principal: a coerência.  É lamentável, mas compreensível — ou vice-versa.

Fonte: Thaís Nicoleti

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