Julia Panadés expõe retrospectiva no Museu Mineiro


 

S Museu Mineiro recebe, a partir do dia 28 de julho, retrospectiva da artista Julia Panadés. A exposição, que traz trabalhos produzidos entre 2003 e 2016, é sua terceira individual realizada na capital mineira. A mostra fica em edital até dia 11 de setembro.

Em suas criações, Julia vem se mantendo leal a três linguagens distintas: a escrita, o escorço e o bordado. Na mostra “Ela, a risca” o fio condutor é a combinação desses recursos que geram o alcance de outros meios, porquê esculturas de tecido, vídeo, livros artesanais e performances. Todos esses trabalhos partem, ainda, do ilustração, da escrita e dos modos de costura. Muitos só ganham corpo na associação com os saberes e fazeres de outros artistas. Embora seja uma exposição individual, trata-se, nesse sentido, de uma produção nutrida por encontros e alinhamentos colaborativos.

Crédito: Divulgação 

Julia Panadés  Mulher Novelo 3 Divulgação

Para a artista, a risco ocupa espaço de protagonista na exposição, por isso o título da mostra. “Em alguns desenhos ela aparece porquê objeto de reparo, por menção à qualidade do material e, literalmente, enquanto material expressiva. A risca é um elemento condutor, passa pela escrita e dá tônus ao gesto das mãos, é material de envolvimento, nos aproxima do reino vegetal, está no rastro dos começos, encarnada pela fibrilha”.

 

Foto Julia Panadés   Glenio Campregher

Parte da exposição contempla um alinhamento ao tema “Mulher novelo”, porquê no livro “Poemia Contagiosa", editado com Mariana Hardy, e a estátua “Vestido de Palavras”, em parceria com Gilda Quintão. A mesma risca retorna logo no livro de desenhos em folhas soltas, capitulado em “Precisão”, “Novelo”, “Lareira”, “Amortecedor”, e no vídeo-poema “Ela desfazia o que tecia porquê oferta ao recomeço”, feito com a colaboração de Pablo Lobato.

Da safra recente da artista, constam os livros semi-artesanais e fac-similares, editados com Clarice Lacerda (Ateliê Campanha), porquê “Rasura sobre Rasura”. Serão exibidos também desenhos originais concebidos nas entrelinhas da escrita de Ruth Silviano Brandão, Flavia Drummond Naves, Bianca Dias Coutinho, Carla Carbati e Val Prochnow, alguns deles já publicados pelas editoras mineiras Relicário e a Cas’a’screver.  

A sutileza do trabalho de Panadés é ressaltada pela superintendente de Museus e Artes Visuais da Secretaria de Estado de Cultura, Andréa de Magalhães Matos. “Seu trabalho é ao mesmo tempo intenso e quebradiço, minucioso e monumental, sofisticado e cotidiano, mas sempre feminino. Essa dualidade é muito instigante, pois permite diversas interpretações e posicionamentos sobre as obras expostas. E aos poucos e com grande conhecimento, Júlia vai se desvendando aos olhos do público através de seus bordados, de suas poesias, de sua espírito gravada em tudo que faz transformar em arte”.

Sobre a Artista

Julia Panadés é bacharel em Artes Plásticas pela Escola Guignard, rabi em Artes Visuais (Belas Artes/UFMG) e doutoranda em Estudos Literários (FALE/UFMG).Artista e professora, mantém uma produção em escrita e escorço diária. Essa relação combinada entre escorço e termo tende ao livro, mas também se desdobra em outros meios.

Recentemente realizou a exposição individual Palavra Habitada, na Casa Una de Cultura, e as coletivas: Sobre o que se desenha (Museu de Arte da Pampulha), S jardim de Adelícia, (Sesc Palladium), Outra Presença (MAP), SIMBIO (Galeria Maristella Tristão / Palácio das Artes, e Ela Vestida, no galpão da FUNARTE, MG. Publicou o livro Poemia Contagiosa (2012). PRetrospectiva de Júlia Panadés

Abertura: 28 de julho de 2016  Horário: 20 h

Período: de 28 de julho a 11 de setembro

Local: Museu Mineiro – Av. João Pinheiro, 342 – Funcionários – BH/MG

Horário de Visitação:

Terças, Quartas e Sextas-feiras - das 10h às 19h