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Candidatos com bandeira de renovação, pré-candidatos já são filiados a partidos políticos


Nomes de movimentos de renovação políticas estão filiados a partidos desde 2011.

Com a bandeira da renovação política, movimentos que ganharam fôlego desde 2017 prometem lançar nomes novos nas eleições para mudar o País. Como o Brasil não permite candidaturas avulsas, os pré-candidatos correm para cumprir o prazo de filiação, que se encerra em 7 de abril. Mas há nomes com trajetória partidária há anos.

Alguns integrantes de movimentos como o Agora!, Acredito e Renova Brasil estão filiados a partidos desde 2011, de acordo com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Já a RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade) tem 118 membros com mandatos eletivos ou funções nomeadas.

Fazem parte do grupo o ex-vereador de São Paulo Andrea Matarazzo (PSD), os deputados Marcus Pestana (PSDB), Otávio Leite (PSDB), Alessandro Molon (Rede) e Mara Gabrilli (PSDB), além do senador Randolfe Rodrigues (Rede), do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB) e do governador do Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), dentre outros.

Para 2018, o objetivo do grupo é eleger de 150 a 200 dos seus 561 integrantes, filiados a de 20 siglas. A RAPS oferece cursos gratuitos de temas como estratégia política e pesquisas eleitorais, sem bolsas regulares. A organização se mantém por meio de doações de pessoas físicas e jurídicas sem fins lucrativos e todo ano há seleção de membros nos projetos Líderes, Jovens e Empreendedores Cívicos.

O grupo foi fundado por Guilherme Leal, um dos controladores da Natura e candidato à vice-presidente na chapa de 2010 de Marina Silva, quando a candidata estava no PV. Na Rede, a parceria continuou de maneira informal. Vários membros do partido são da RAPS e fizeram os cursos da organização.

Fundada por Guilherme Leal, vice de Marina Silva em 2010, a RAPS oferece cursos de formação política.

Um dos nomes formados pela RAPS e que estará nas urnas neste ano é João Francisco Maria (Rede). João é um dos fundadores do partido de Marina Silva, que obteve o registro eleitoral só em 2015. Ele tentou uma vaga de distrital há 4 anos, pelo PSB. Na época, o partido abrigou parte do grupo que tentava viabilizar a Rede.

Após anos de trajetória partidária, João Francisco Maria entrou no Agora! no meio de 2017 e atua como coordenador do movimento no Distrito Federal. A iniciativa que prega renovação política começou junho de 2016 e ficou conhecida por contar com apoio do apresentador de televisão Luciano Huck.

Servidor público, Maria disse que nunca ocupou cargos de nomeação política. Para ele, a renovação é uma questão de mudança de práticas, independente da idade. “O fato de ser geracional é importante, mas não é suficiente. Pode botar uma pessoa jovem com velhas práticas”, afirmou ao HuffPost Brasil. Ele defende o fim do “fisiologismos de negociar cargos por apoio políticos” e do caixa 2.

Um dos fundadores da Rede, João Fransisco Maria é coordenador do Agora! no Distrito Federal e deve se lançar como candidato a deputado federal.

Também coordenador do Agora! no Distrito Federal, Leandro Grass vai tentar uma vaga de deputado distrital pela Rede. Ele se filiou ao partido em 6 de abril de 2017, com a intenção de ter o nome nas urnas.

Antes, o sociólogo e gestor de políticas públicas foi filiado ao PSB e trabalhou na campanha de Rollemberg. Grass afirmou que chegou a receber um convite para fazer parte do governo do DF, mas não aceitou.

Para o pré-candidato, que também é integrante do Acredito, a renovação não se limita a novos nomes. Ele defende corte na verba de gabinete e uma gestão participativa. “Uma proposta é que os voluntários da campanha possam ajudar a decidir para onde vão as emendas parlamentares”, afirmou ao HuffPost Brasil.

Em 27 fevereiro, o Agora! fechou uma carta de compromisso com o partido de Marina Silva. O documento prevê autonomia e estabelece um limite para candidaturas proporcionais. Os integrantes do grupo poderão escolher entre 30% só para quem está nessa situação (chamadas “candidaturas cidadãs”) ou uma candidatura orgânica em igualdade com os demais filiados.

Na data, Grass afirmou que “a sociedade vem negando a política e a política vem negando a sociedade” e defendeu um “movimento cívico, que nasce de cidadãos comuns”.

Membro do Agora! e candidato a deputado distrital pela Rede, Leandro Grass trabalhou na campanha de Rodrigo Rollemberg (PSB), em 2014.

O Agora! também fechou o mesmo compromisso com o PPS. Um dos cofundadores do movimento e também integrante do Renova Brasil, Diogo Busse será candidato a deputado federal. Ele é filiado ao PPS desde 15 de agosto de 2011. É a 3ª vez que tenta um cargo eletivo. Se candidatou a vereador 2 vezes, em 2012 e em 2016, e a deputado estadual em 2014.

Se não chegou a ocupar um cargo por meio dos votos, Busse já fez parte do governo federal. De outubro de 2017 a janeiro deste ano, atuava como assessor na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, a pedido do secretário Hussein Kalout.

Ele deixou o posto para fazer o curso do Renova Brasil. Antes, trabalhou como Diretor de Diversidade Cultural no Ministério da Cultura (Minc).

Em Curitiba (PR), foi diretor de Políticas de Drogas em 2012, como resultado de sua atuação de 15 anos área. Busse criou e presidiu a Comissão de Política de Drogas da OAB-PR e foi um dos advogados que obteve a 1ª decisão judicial no Brasil a autorizar o uso do Canabidiol para fins terapêuticos, conta o pré-candidato.

Com o objetivo de formar novos nomes na política, o Renova Brasil oferece bolsas de até R$ 12 mil e aulas sobre temas como funcionamento do Legislativo, direito eleitoral, marketing político e discussões sobre o papel do Estado.

Para Busse, a iniciativa é fundamental para ampliar o número de pessoas que possam se dedicar apenas à política. “Parei de advogar, deixei 10 anos de aulas em universidade para fazer campanha por um ano”, contou.

No entendimento dele, a renovação tem como base transparência na campanha e preparação para a gestão pública. “É preciso estar disposto a servir, ter projetos que colaborem para o bem comum. A maioria hoje não é bem intencionada”, afirmou.

Cofundador do Agora! e membro do Renova Brasil, Diogo Busse é filiado ao PPS desde 2011 e já ocupaou cargos no governo federal.

Colega de Busse no curso do Renova Brasil, o ex-ministro da Cultura do governo de Michel TemerMarcelo Calero é outro nome que irá se lançar nas eleições de 2018, mas já está na política há anos.

O advogado que deve tentar o cargo de deputado federal se filiou no último sábado (24) ao PPS. Ele já foi filiado ao PSDB e ocupou 2 cargos públicos em governos do MDB. Além de ministro de Temer, foi secretário de Cultura da gestão do prefeito Eduardo Paes, no Rio de Janeiro.

Calero ficou conhecido por denunciar o escândalo do apartamento de luxo do então ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo). Ao deixar o Ministério da Cultura, em novembro de 2016, Calero afirmou que Geddel o pressionou a produzir um parecer técnico para favorecer seus interesses pessoais.

Ex-ministro do governo Temer, Marcelo Calero se filiou ao PPS e deve disputar vaga na Câmara dos Deputados.


Fonte: HuffPost Brasil Athena2

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