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Áreas agrícolas atingidas em Mariana apostam em variar produção – Idade NEGÓCIOS



Áreas agrícolas atingidas em Mariana apostam em diversificar produção (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Produtores rurais atingidos depois o rompimento da barragem da Samarco, ocorrido há quatro anos em Mariana (MG), estão recebendo assessoria para variar suas produções a partir do Sistema Agroflorestal (SAF), padrão que procura mesclar em uma mesma espaço diferentes culturas agrícolas e espécies florestais capazes de estabelecer uma relação harmônica. A teoria é valorizar a natureza, preservar o ecossistema, produzir com menor gasto de insumos e gerar um resultado de subida qualidade.

O trabalho é orientado pelo Meio Internacional de Pesquisa Agroflorestal (Icraf), por meio de parceria com a Instalação Renova, entidade criada para reparar os danos da tragédia conforme o Termo de Transação e Ajuste de Conduta (TTAC) firmado em março de 2016 entre a Samarco, suas acionistas Vale e BHP Billiton, o governo federalista e os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo.

“O concepção do SAF, às vezes, é muito generalista. Um capim com eucalipto poderia ser um SAF? Poderia, mas se olharmos para as funções ecológicas das áreas, o SAF vai além de um consórcio simples. É pensar na sinergia toda da vida do solo com outro manejo, sem o uso de venenos, sem uso excessivo de adubação em seguida o start inicial”, explica Martin Meier, engenheiro florestal do Icraf. Segundo ele, é preciso um estudo cauto das características da dimensão e dos interesses do produtor e, a partir daí, selecionar espécies de horticultura, fruticultura e silvicultura que não tenham conflito umas com as outras.

Uma das propriedades onde o padrão vem sendo aplicado é a de Waldir Pollak, próxima a Paracatu de Inferior, província de Mariana (MG). Há plantação intercalada de pimenta, jiló, quiabo, mandioca, moca e banana, entre outros. “Vamos trabalhar com árvores que vão crescendo e fornecendo não só frutos, mas também outros produtos, que sejam aromáticos ou para atividade madeireira”, diz Martin. Ele destaca que além de cultivar diferentes espécies agrícolas, é provável retirar madeira do espaço, diversificando a renda do produtor.

Segundo o engenheiro, os nutrientes fornecidos pelas diferentes espécies enriquecem a vida no solo. A bananeira é usada por ele para exemplificar porquê integrar espécies. Ela pode ser podada e servir de especiaria orgânico para outras espécies. Aliás, trata-se de uma frutífera que retém chuva em suas raízes, o que pode contribuir para o desenvolvimento de determinadas vegetação nas suas proximidades. Não há uso de agrotóxicos. Essa é uma diretriz assumida por Pollak em toda a sua propriedade, não somente no SAF, mas também na horto.

Um dos desafios enfrentados por Waldir Pollak é a mão de obra, que tem se revelado escassa. Esse fator foi considerado na elaboração da proposta de SAF. “A teoria é trabalhar com espécies que não precisam de uma manutenção muito intensa porquê demanda uma horto. No canteiro da horto, se você não dá uma trabalhada manente para tirar as espécies espontâneas que nascem, elas começam logo a concorrer com as espécies de interesse. Logo é um trabalho bastante difícil. No SAF, a demanda de mão de obra será menor”, explicou Martin.

A adoção do padrão é uma das opções disponíveis para cada um dos 235 terrenos atingidos que foram mapeadas pela Instalação Renova ao longo de cinco municípios: Mariana, Barra Longa, Ponte Novidade, Rio Guloseima e Santa Cruz do Escalvado. O cronograma da reparação das propriedades rurais prevê ações até março de 2021. Concluídas as intervenções, deverá ser mantida, por mais dois anos, a assistência técnica aos produtores. Assim, quem fizer opção pelo SAF, contará com o esteio do Icraf até março de 2023.

Com a evolução da produção, a propriedade de Waldir Pollak se converteu em uma unidade demonstrativa . Isso significa que ela é um padrão, ocasião à comunidade, para servir porquê referência aos outros atingidos. De entendimento com a Instalação Renova, há unidades demonstrativas em 21 propriedades, e a seleção levou em conta as características dos terrenos e também o interesse e a propensão do produtor para a disseminação de boas práticas. Além do Icraf, as organizações não governamentais WRI Brasil e Herdade Ecológica participam das intervenções nesses locais.

Das 21 propriedades, 15 são voltadas para replicar modelos de manejo de pastagem ecológica, devido ao soberania da produção leiteira na região. Outras servem porquê referência para o desenvolvimento agrícola, porquê a propriedade de Waldir Pollak. Além da implantação do SAF, ele vem incrementando sua horto orgânica. “Está crescendo a cada dia que passa. Já temos murado de 40 variedades de provisões diferentes”, diz o cultivador, que atualmente vende seus produtos em três feiras da região. Na idade da tragédia, a limo chegou na secção baixa de seu terreno. A horto não foi atingida, mas toda a produção foi perdida, pois o bloqueio das estradas impediu tanto a chegada dos funcionários quanto a saída das mercadorias.

Sustentabilidade
Todo o processo de reparação é fundamentado em ferramentas já estabelecidas por políticas públicas do estado. Uma delas é a metodologia Indicadores de Sustentabilidade em Agroecossistemas (ISA), desenvolvida pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), na qual as propriedades são avaliadas numa visão sistêmica a partir de 21 indicadores de elementos sociais, econômicos e ambientais. A propriedade de Pollak obteve, até o momento, o maior desempenho, de 0,52, uma das razões pela qual foi escolhida porquê unidade demonstrativa.

“O ISA varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, mais adequada ambientalmente, socialmente e economicamente está a propriedade. Nossa meta é que todas as propriedades alcancem ao menos 0,7 ao final do processo de reparação”, diz Gabriel Kruschewsky, engenheiro florestal da Instalação Renova. Levando em conta os interesses de cada atingido, é elaborado para cada terreno um Projecto de Adequação Socioeconômica e Ambiental das Propriedades Rurais (Pasea). É ele que define as estratégias para aumentar o ISA, tendo porquê setentrião certificar a reorganização produtiva e a regularização da propriedade.

“Vale frisar que, para a elaboração do Pasea, não importa quanto de rejeito se espalhou pela propriedade. Isso é indiferente, porque o olhar vai para a propriedade porquê um todo, visando a reparação integral”, diz Kruschewsky. Segundo ele, há casos em que o terreno já estava degradado antes da tragédia e será renovado.

Desamparo
Nem todos os proprietários rurais atingidos estão se sentindo contemplados com o processo de reparação. Produtores rurais que trabalham com manada leiteiro, por exemplo, manifestam insatisfação e alegam que, passados quatro anos da tragédia, ainda não conseguiram retomar suas atividades. A produção leiteira é a principal atividade agropecuária no trecho mais atingido, que vai de Mariana até a Usina de Candonga, no município de Santa Cruz do Escalvado. É justamente nesse trecho que é aplicada a metodologia ISA.

A Usina de Candonga funcionou porquê barreira para os rejeitos de mineração e, nos trechos posteriores, a limo se concentrou na calha do Rio Gulodice trazendo menos impactos para as propriedades rurais. Ainda assim, no Espírito Santo, produtores de cacau lamentam a perda de sua capacidade produtiva. Ilhas onde o cacau é plantado estão distribuídas na foz do Rio Guloseima, localizada em Regência, província do município de Linhares (ES).

Paulo Miranda do Rosário conta que coletava entre seis e sete sacos a cada 15 dias, mas hoje tira somente dois. “Não tenho esperança que volte a ser porquê antes. A lodo está no solo. Porquê se pode crescer nessa terreno?”. Segundo ele, a Instalação Renova não realizou nenhuma ação nas terras da região e nem os procurou para indenizá-los. A entidade somente vem assegurando o auxílio mensal emergencial correspondente a um salário mínimo, acrescido de 20% para cada dependente, além do valor de uma cesta básica. Conforme já foi decido pela Justiça, esse pagamento não tem natureza indenizatória.

De concordância com da Instalação Renova, o processo de reparação prevê ações de assistência técnica e extensão rústico em toda a bacia do Rio Guloseima, na qual proprietários recebem o suporte necessário para a retomada das atividades agropecuárias, a readequação ambiental de seu terreno, a adoção de práticas sustentáveis e a ampliação da comercialização de seus produtos. O lançamento de um edital para atender às propriedades localizadas no Espírito Santo está previsto para leste mês. A Instalação Renova informa que negocia parceria com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rústico (Incaper) para capacitar agricultores na promoção do desenvolvimento rústico sustentável.



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